quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

BÊNÇÃO ECUMÊNICA DE FIM DE ANO

Como é tradição em Volta Redonda, todo dia 31 de dezembro é realizada uma bênção pública ecumênica na Praça Brasil.

Neste ano nossa congregação se fez representar, levando uma palavra de agradecimmento a Deus pelas bênçãos concedidas em 2008 e também lembrando que todos devem depositar suas esperanças somente em Cristo, mesmo nos momentos em que nossas forças não parecem ser bastante diante de tantas dificuldades.

O pastor Marcio lembrou as palavras do Salmo 126, versículo 3: "De fato, o SENHOR fez grandes coisas por nós, e por isso estamos alegres." O ano que termina foi um ano muito abençoado por Deus, e temos a certeza de que no próximo ano Deus continuará fazendo muitas e grandes coisas por nós, o que nos deixa muito alegres.

Feliz e abençoado 2009 a todos amigos e irmãos.
Leitura da Palavra.
Breve mensagem de agradecimento e esperança no amor de Deus.


Algumas das autoridades presentes.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

CULTO ESPECIAL DE NATAL

A noite do dia 24 foi muito especial. A Congregação de Volta Redonda se reuniu para louvar a Deus pelo maravilhoso presente do seu amor que nos foi dado no Natal, seu Filho Jesus Cristo, nosso Salvador.

A alegria foi ainda maior com a Profissão de Fé feita por Leonardo Hiller Passos Nascimentos, que passou a constar oficialmente como membro da congregação, já que sua participação em todas as programações já aconteciam há um bom tempo.

A Congregação de Volta Redonda encerra 2008 com um grande sentimento de gratidão a Deus por tantas bênçãos derramadas neste ano. O Pastor Marcio e sua esposa Nicole também agradecem muito por Deus ter lhes trazido até essa cidade onde foram tão bem recebidos.

Todos nós desejamos aos irmãos e amigos e ano novo repleto de ralizações, alegrias e bênçãos divinas.

Pastor Marcio e sua esposa Nicole louvando a Deus.

Leonardo fazendo sua Profissão de Fé.

Leonardo recebendo a bênção.

Mais uma bela recordação de um ano abençoado.

sábado, 20 de dezembro de 2008

PROGRAMA DE NATAL

Neste sábado, 20 de dezembro, foi realizado o Programa de Natal da Congregação de Volta Redonda. O adiantamento do programa ocorreu devido ao número de famílias que viajarão para passar as festas de final de ano com seus familiares em outras cidades.

Foi um momento muito especial onde os irmãos e amigos visitantes puderam meditar um pouco a respeito dos símbolos do Natal e seus significados. Lembrando que todos eles apontam sempre para o grande amor de Deus pela humanidade que foi revelado de forma concreta na vinda do seu Filho ao mundo.

Desejamos que Deus esteja com as famílias que estarão em viagem nos próximos dias, e que Ele conceda a todos um feliz e abençoado Natal e um ano novo cheio de coisas boas além de muita força para vencer e superar as dificuldades que certamente virão.

Mauricio, presidente da congregação, acendendo as velas do Advento.

Priscila e Leonardo, nossos narradores.

Dona Maria fazendo a leitura de uma poesia.

Thales e Gabriella também foram nossos colaboradores nas leituras das poesias.

Nicole narrando a história do pinheirinho de Natal.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

CENAS CONSTRANGEDORAS



A cena do atual presidente dos EUA, George Busch, esquivando-se de "sapatadas" foi bastante "constrangedora".


No entanto, cenas igualmente "constrangedoras" foram filmadas em Santa Catarina. Não estou me referindo as imagens das catástrofes e tragédias causadas pelas chuvas, e sim da tragédia que é a falta de moral e o excesso de egoísmo. Esta tragédia foi flagrada! Voluntários foram filmados pegando para si as melhores doações. Aquilo que era para ser entregue aos necessitados, acabava ficando com aqueles que estão lá para ajudar. Diante de uma cena assim, da vontade de jogar os sapatos com toda força. Porém, se formos jogar sapatos em toda cena que demonstra egoísmo e falta de caráter, ficaremos de pés descalços.


Se formos realmente justos e sinceros, sapatos seriam jogados sobre nós mesmos, afinal, se filmadoras nos rodeassem, com certeza filmariam cenas constrangedoras, revelando nossos erros, nossos pecados. Quem não tiver pecado que atire o primeiro "sapato". Aqui está algo importante dentro das reflexões sobre a nossa vida – é fácil nos revoltarmos contra aqueles que estão metendo a mão nas doações aos flagelados de Santa Catarina, mas é difícil analisarmos que, tirando vantagem aqui e ali no dia-a-dia, também estamos agindo vergonhosamente.


Vergonhoso e constrangedor foi a cena em que o Filho de Deus veio ao mundo, no primeiro Natal, e teve que nascer em um galpão, em uma estrebaria, pois não havia lugar para ele na hospedaria. Que baita constrangimento! Ah, se pudéssemos jogar um sapato naquele dono da hospedaria que não conseguiu um lugar para José e Maria, que não conseguiu um lugar para Jesus nascer. Mas, e nós? Reservamos lugar para Jesus? É necessário lembrar que precisamos tirar a trave do nosso olho, para então auxiliarmos a tirar o cisco do olho do outro. O Senhor Jesus, ainda hoje, quer nascer e encontrar um lugar em nossos corações. Será que ele encontra? Que constrangimento!


Mas, dentre todas as "cenas constrangedoras", nada foi mais vergonhoso do que a crucificação. O criminoso era exposto diante de todos, em dor, em vergonha, em sofrimento.


Jesus, ao vir ao mundo, sabia de todos os "constrangimentos" que teria de passar por nós. Ele enfrentou tudo e a todos, a fim de nos libertar do "constrangimento" da condenação eterna. Por isso, livres e "constrangidos pelo seu amor", comemoremos mais um Natal, amando em justiça e verdade os nossos semelhantes.
Pastor Ismar Pinz
Congregação Cristo Redentor, Pelotas, RS.
ismarpinz@yahoo.com.br

O QUE VOCÊ VAI "PERDER" NESSE NATAL?


O Natal já vem chegando! Nessa época a pergunta que mais se ouve por aí é a seguinte: “O que você quer ganhar de Natal?”, e depois do dia 25 vamos ouvir muitas vezes: “O que você ganhou de Natal?”. Muda-se apenas o tempo verbal, mas o sentimento é o mesmo: ganhar e ganhar.
Gostaria de saber o que as pessoas vão deixar de lado, o que vão descartar nesse Natal.

Estamos num grande dilema em casa: o que pedir e dar de presente. Eu já escolhi (e até comprei) meu presente – um violão novo. Pra minha esposa estou pensando em dar um aparelho de dvd com karaokê. Por conseqüência, o velho violão, já muito castigado pelo tempo e pelas várias quedas, bem como o aparelho de dvd antigo, sem muitos recursos, ficarão abandonados.

Quando ganhamos coisas novas, mais modernas, com mais recursos, acabamos por abandonar as coisas velhas, obsoletas.

O apóstolo Paulo escreveu uma carta ao seu amigo Tito. No capítulo 2, versículos 11 e 12 ele escreveu o seguinte: “Pois Deus revelou a sua graça para dar a salvação a todos. Essa graça nos ensina a abandonarmos a descrença e as paixões mundanas e a vivermos neste mundo uma vida prudente, correta e dedicada a Deus.”

No Natal Deus nos deu de presente seu Único Filho para viver entre nós, ensinando a lei do amor e morrendo na cruz para nos dar o maior de todos os presentes: a vida eterna. Deus nos deu de presente uma nova. Conseqüentemente, nossa velha vida, vivida longe de Deus, deve ser abandonada, deve ser deixada de lado.

Que este Natal sirva para deixarmos de lado tantas coisas velhas que atrapalham nossa relação com nosso Deus e também com as pessoas que Ele colocou em nossas vidas. Deixemos o egoísmo, o orgulho, a avareza, o ciúme, enfim, todas as coisas velhas. Deixemos Deus inundar nossas vidas com muita alegria de viver, muito altruísmo, muita compaixão, enfim, com muito amor. E assim teremos não só um Feliz Natal como também um novo ano repleto de coisas boas em nossas vidas.

Muitas bênçãos a todos.

Pastor Marcio Loose

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"QUEM ESCREVEU A BÍBLIA?" - Resposta à revista Superinteressante.


Olá responsáveis pela Revista,

Pediria que vocês levassem a sério o que vocês publicam, afinal é uma grande responsabilidade educar e informar as pessoas sobre os mais diferentes assuntos. A reportagem intitulada “Quem escreveu a Bíblia?” de dezembro/2008 é de uma superficialidade incrível para uma revista que julga analisar as coisas “cientificamente”. Há todo um vasto campo de pesquisa científica sobre o estudo da Bíblia e a formação do Cânone que foi nem arranhado. Considerar Marcião e o gnosticismo, bem como o docetismo, como vertentes válidas do cristianismo é desconsiderar a história cristã e os próprios escritos bíblicos, como o evangelho e as epístolas de João, que confessam a humanação de Cristo.


Absurdo maior é dizer que para Lutero “confessar os pecados era inútil” (pág. 65). Foi exatamente por causa do entendimento errado do perdão dos pecados vendidos nas indulgências que a Reforma Protestante foi deflagrada (aliás, uma das grandes responsáveis por termos liberdade de expressarmos o que cremos e pensamos com liberdade. Pena que vocês utilizem esse direito, a duras penas conquistado, com tanta leviandade....). Além disso, é visivelmente com o intuito de confundir as pessoas que se coloca no mesmo parágrafo que “pastores fundamentalistas” tentam proibir o ensino da Teoria da Evolução enquanto a própria Igreja a aceita desde a década de 1950. Meus caros, pastores são protestantes, a igreja a que vocês se referem é a Católica Romana. Não é porque a igreja Romana decide alguma coisa que as outras, ainda mais as protestantes, as aceitam automaticamente. Além disso, vocês colocam a versão “oficial” da Bíblia para os católicos. Isto demonstra uma falta de respeito imensa com o público evangélico da revista, que certamente é grande, e que vem crescendo em grande proporção nas últimas décadas.


Para completar a pobreza do artigo, uma bibliografia pífia é colocada ao final do artigo para “saber mais” (2 livros!!), que, visivelmente abordam só o lado defendido pelo autor do artigo. Cadê a imparcialidade da ciência e da análise não-comprometida que deveria se mostrar nas páginas de uma revista de “ciência”. Infelizmente, a matéria não agrega nada, traz um monte de informações inúteis, como os “chifres” em Moisés, e serve somente para confundir as pessoas.


Para encerrar, enfim, a imensa pobreza científica, histórica, literária e religiosa da matéria, NENHUMA referência é feita à Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), a maior produtora de Bíblias no mundo! Neste ano inclusive comemora 60 anos de atividades no Brasil! Comemora-se 200 anos da chegada das Bíblias em português no Brasil, que puderam entrar no país por causa da chegada do rei Dom João VI, que abriu os portos brasileiros para o comércio, e assim Bíblias em português vindas da Inglaterra encontraram os leitores do Brasil. Nem ao menos o site no final da matéria!! (http://www.sbb.org.br/) Com eles, vocês poderiam aprender ainda que a Bíblia é um livro religioso único, pelo fato de poder e precisar ser traduzido para outras línguas, diferente dos livros de outras grandes religiões do mundo, que não podem ser traduzidos. Aqueles que querem conhecê-lo precisam aprender a língua no qual foram escritos.

Enfim, aprendi que vocês colocam uma capa toda chamativa para enganar os leitores, trazendo no interior uma reportagem muito ruim. Talvez por isso a revista venha embalada (pelo menos na loja onde comprei estava) também, porque se as pessoas pudessem dar uma folheada e ver o teor de algumas matérias, como as acima referidas, não compraria a revista nunca.

Obrigado pela atenção

Paulo S. Albrecht
Pastor da CEL Cristo Redentor - RJ
Igreja Luterana - Zona Sul
pastorpaulo@igreja-cristoredentor.org.br
paulosamuelalbrecht@yahoo.com.br
www.igreja-cristoredentor.org.br

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O SOL DO NATAL


Os catarinenses necessitam de consolo no sentido literal da palavra. Consolo vem do latim cum + solis que significa “com sol”. No lugar da chuva, do céu nublado, é o brilho do Sol que eles mais precisam. Na verdade, o consolo sempre vem de cima, de alguém ou de alguma coisa que tem o poder de ajudar. Por isto a solidariedade, isto é, a ação de solidar, de oferecer solo para os que perderam o chão em todos os sentidos. A única solução – arrisco dizer que solução significa “ação do Sol” – aos catarinenses flagelados é o cum solis.
Cedo ou tarde, todos precisam de consolo. Nuvens pesadas e chuvas torrenciais são a coisa mais certa. Ninguém escapa! Diante desta certeza, a pergunta: temos um plano de emergência, uma “defesa civil” em estado de alerta? Parece que este foi o problema lá em Santa Catarina. A maioria não conhecia o chão onde pisava, nem estava preparada para a catástrofe. Percebe-se que o consolo eficaz é aquele que está à disposição igual aos botes salva-vidas num navio. Interessante dizer que o nome “Noé” vem da mesma raiz na língua hebraica do Antigo Testamento para “consolo” (Gênesis 5.29). Conhecemos a história deste pregador que prenunciou o Dilúvio por 120 anos e construiu um grande navio para salvar. O registro bíblico diz que a maioria zombou de Noé chamando-o de louco. Até hoje esta história é tida como um mito. Conclui-se com isto que sem fé o consolo perde a eficácia de resgatar.

Outro episódio marcante na Bíblia que fala de consolo é a escravidão do povo de Judá na Babilônia. Pode parecer assustador, mas os judeus foram avisados da tragédia. Bem antes do flagelo quando perderam pátria e liberdade, o profeta anunciou: “O Senhor, nosso Deus diz: Consolem, consolem o meu povo” (Isaías 40.1). Tais palavras divinas foram uma previsão meteorológica alertando: preparem-se para o temporal que se arma no horizonte, mas eu estou aqui e não os abandonarei. Isto aconteceu uns 600 anos antes de Cristo, e parecido com a história de Noé, a maioria do povo duvidou e rejeitou o consolo.

João Batista foi outro pregador do consolo: “Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do Céu está perto” ( Mateus 3.1). O evangelista lembra que “a respeito de João o profeta Isaías tinha escrito o seguinte: Alguém está gritando no deserto: Preparem o caminho para o Senhor passar!” Tais palavras vêm logo após o “consolem, consolem o meu povo”. Por isto João Batista é o famoso personagem do Advento – este período cristão que orienta para a verdadeira celebração do Natal.

Lembro tudo isto para perguntar: onde está o consolo neste Natal que vem chegando? Compras, presentes, festas – isto parece ser a salvação de vidas encobertas sob coisas, vidas sem sol. Aliás, os cristãos escolheram o 25 de dezembro – dia quando os gregos antigos lembravam o nascimento do deus-Sol – exatamente para alertar que coisas e criaturas jamais poderão consolar.
Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Call Center Divino


Ouvi falar de um tal de call center. Não sabia o que era. Quando descobri do que se tratava constatei que eu já conhecia, mas não sabia que se chamava assim: call center. Procurando uma definição, li que é um sistema telefônico computadorizado que permite atendimento de múltiplas entradas a partir de um único número. Numa linguagem popular é aquele serviço telefônico que muitos se aborrecem de usar. Você liga e escuta uma voz gravada, fria e inatingível. Quando então consegue falar com uma atendente, você tem a impressão de que tudo continua frio e previsível. Uma voz melosa e falsa do outro lado repetindo frases como: "um momento senhor" "desculpe senhor", "sua ligação é importante para nós"!
Ouvi a expressão call center porque foi divulgada pela mídia a aprovação do decreto 6523, que criou regulamentações para tornar o serviço mais eficiente ou menos chato. A verdade é que este tal serviço é chato porque é demorado, artificial e muitas vezes ineficiente.
E se comparássemos a "oração" com uma "ligação telefônica". E se comparássemos o atendimento de Deus com um call center, será que haveria pontos comuns? Uma comparação possível é a possibilidade de atender uma infinidade de ligações através de um mesmo número. Não sei como este sistema pode ser tão eficiente, mas de fato, Deus recebe e escuta todas orações, mesmo sendo bilhões a orar ao mesmo tempo. Porém, não existe nenhuma regulamentação quanto ao tempo de sermos atendidos. Deus é quem controla quando e como vai nos atender. O interessante é que é sempre do melhor jeito e sempre no tempo certo! Por isso que dizemos "amém" com tanta segurança.
Ao contrário dos call centeres, na oração, não temos uma resposta artificial e fingida. Bem pelo contrário! Deus oferece eficientíssimo serviço através de sua forte, sincera e poderosa Palavra: a Bíblia. Por isso, seguindo a idéia dos números telefônicos, deixarei alguns para você eventualmente ligar. Quando você estiver triste, ligue: Jo 14. Quando pessoas falarem de você, ligue Sl 27. Quando você estiver nervoso, ligue Sl 51. Ansioso e preocupado? Ligue Fp 4.6-7 ou Mt 6:19,34. Quando você estiver em perigo, ligue Sl 91. Quando Deus parecer distante, ligue Sl 63. Quando sua fé precisar ser ativada, ligue Hb 11. Está sentindo medo ou solidão? Ligue Sl 23. Quando você for áspero e crítico, ligue 1 Co 13. Para saber o segredo da felicidade, ligue Cl 3:12-17. Quando se sentir abandonado, ligue Rm 8:31-39. Para encontrar descanso, ligue Mt 11:25-30.
O Call Center Divino é realmente excelente! Além disso, não há outra regulamentação além da fé!
Pastor Ismar Pinz
ismarpinz@yahoo.com.br
Congregação Cristo Redentor – Pelotas, RS.

DESAPRENDER


Assisti no Fantástico o caso do pai de uma aluna de 12 anos que protestou com a forma da orientação sexual. Espantou-se com os comentários da filha sobre um pênis de borracha usado na sala de aula durante a explicação da professora sobre métodos contraceptivos. "Ela ficou bastante chocada, achou esquisito. Ela conta inclusive que na sala de aula houve muita brincadeira indecente e gozação com aquele objeto”, disse o pai à reportagem.
Parabéns a este pai do interior de São Paulo, também professor, que entrou com uma representação no Ministério Público contra a Secretaria Estadual da Educação. Teve coragem em dizer “não” às imposições do Ministério da Saúde que obrigam nossos filhos a entender do jeito deles a sexualidade. Tenho uma filha de 12 anos, e não quero que ela veja um pênis de borracha ereto numa sala de aula. Minha “pré-ocupação” não é com a gravidez precoce, mas com aquilo que é gerado na mente e no coração dela. Desta forma, assim como as escolas públicas não têm o direito de impor uma específica religião aos alunos, elas também não têm licença com respeito à orientação sexual dos nossos filhos. No entanto, estamos sob uma ditadura. O Fantástico mostrou isto. A dirigente regional de ensino, a diretora do Programa Nacional contra as doenças sexuais, e o promotor da Infância e Juventude foram unânimes em dizer que este pai está errado. Mas o pai pedagogo, no final, disse tudo: “Não podemos dar uma carta de motorista para um menino de 12 anos, assim como não podemos incentivar uma criança de 10 a 15 anos a ter uma relação sexual. A relação sexual tem que ser explicada que é dentro de um contexto de compromisso mútuo”.
Neste mesmo Domingo ouvi uma palestra do Osvino Toiller num encontro de casais, e entre tantas coisas sábias, o professor disse algo que me chamou atenção: “Hoje precisamos mais desaprender do que aprender”. Não é possível nem salutar tapar os olhos, ouvidos e mente para tudo o que se ensina por aí. Então, o único jeito é desaprender. É usar “camisinha” no coração. Uma proteção essencial, sobretudo contra esta forma doentia que contamina a vida dos jovens e da sociedade, e que gera tanta desarmonia na família. Por isto a recomendação bíblica: “É preciso que o coração e a mente de vocês sejam completamente renovados. Vistam-se com a nova natureza, criada por Deus, que é parecida com a própria natureza dele e que se mostra em vida verdadeira” (Efésios 4.23,24).
Não sou contra campanhas sobre doenças sexualmente transmissíveis e AIDS. No entanto, o problema é a didática. Também não posso obrigar ninguém a aceitar meus princípios religiosos e morais. Mas creio que tem muita gente que pensa como eu penso. No Fantástico, 40% dos telespectadores telefonaram que concordavam com o pai. É isto que o governo e as escolas precisam compreender: nós, pai e mãe, temos o direito de saber o quê e como estão ensinando os nossos filhos. Mesmo que sejamos a minoria!
Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

PALAVRINHA DIFÍCIL


A palavra mais longa vem da Suécia: Sparvagsaktiebolagsskewsmutssjutareck-foreningspersonalbekladnadsmagasinsforradsforvaltaren. O que significa? “Cargo da pessoa que trabalha no depósito de fornecimento de uniformes ao pessoal do sindicato de limpadores de vias férreas”. E a palavra mais difícil vem do coração: “obrigado”. Não penso na pronuncia daqueles que soletram na frente do espelho e ali encontram a imagem de um deusinho. Refiro-me àqueles que têm a língua solta. Por isto, se o dia de Ação de Graças é para redimir-se daqueles outros quando se ficou com a língua presa, então tudo bem. Porque o perdão também existe para a ingratidão. E no lugar de dizer com o fariseu: “Senhor, eu te agradeço porque não sou igual às outras pessoas”, seguir na trilha do cobrador de impostos: “Ó Deus, tem pena de mim, pois sou um pecador” (Lucas 18.13). Bem lembrou Davi: “O que tu queres é um coração sincero... Então terás prazer em receber os sacrifícios certos” (Salmo 51.6,19).
Mas por que é difícil dizer “muito obrigado” àquele em quem vivemos, nos movemos e existimos (Atos 17.28)? Da boca para fora é a coisa mais fácil. A resposta é o nariz empinado. Ou como disse Moisés ao povo de Israel: “Tomem cuidado para não ficarem orgulhosos e esquecerem o Senhor, nosso Deus. Não pensem que foi com a sua própria força e com o seu trabalho que vocês conseguiram todas essas riquezas” (Deuteronômio 8.14,17). Jesus mesmo, ao ensinar pelo “pão nosso de cada dia”, alertou contra este deus entre as orelhas, fruto de uma indesculpável amnésia que faz do pão o patrão. “Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro” (Mateus 6.24), diz o Salvador ao coração cheio de cálculos – que sempre quer negociar com Deus.
Por isto a explicação de Lutero aos que oram o Pai Nosso: “Deus, em verdade, dá o pão de cada dia, mesmo sem a nossa prece, a todas as pessoas, também aos descrentes. Mas suplicamos nesta petição que nos faça reconhecê-lo e receber com agradecimento o pão de cada dia”. Este é um lembrete que deveria ser fixado à porta da geladeira junto com a oração: “Dá-me somente o alimento que preciso para viver. Porque, se eu tiver mais do que o necessário, poderei dizer que não preciso de ti” (Provérbios 30.8,9). Uma oração bem diferente destas que andam por aí: Dá-me riquezas, Senhor, para nunca se esquecerem de mim.
Quem não depende de Deus não consegue dizer “obrigado”. Por isto “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”. Porque se sobrar um pouco ou bastante, o pão nosso vira “meu”, fica pão dormido, e desgraçadamente não chega à boca dos que têm fome. No final, quem não agradece também não reparte. O começo de tudo, então, é aprender esta palavrinha difícil. E o único jeito é soletrando a “Palavra que se tornou um ser humano e morou entre nós (...) Porque todos nós temos sido abençoados com as riquezas do seu amor, com bênçãos e mais bênçãos” (João 1.14,16).
Marcos Schmidt
Pastor luterano

marsch@terra.com.br

terça-feira, 18 de novembro de 2008

INSTINTO CRISTÃO


Estamos nos aproximando do final do ano eclesiástico, o ano da igreja. Nesse período meditamos e nos preparamos para comemorar o Natal, a primeira vinda de Jesus ao mundo e, ao mesmo tempo, nos preparamos para sua segunda vinda no dia do Juízo Final.
O evangelista Mateus registra em seu livro, no capítulo 25, versículos 31 até 46, palavras do Senhor Jesus a respeito do “Grande Julgamento” que acontecerá no último dia. Quando lemos e meditamos sobre esse texto, dificilmente conseguimos criar outra imagem em nossa mente a não ser a de um tribunal, um juiz muito justo separando os salvos dos condenados. Pois é exatamente isso que Jesus relata nesse texto.
Porém, quero convidar o caro leitor a observar com muita atenção um detalhe interessante nesse texto: a reação dos sentenciados: “Senhor, quando foi que vimos o senhor com fome, ou com sede, ou como estrangeiro, ou sem roupa, ou doente, ou na cadeia...?
Os sentenciados, tanto salvos como condenados, tem a mesma reação, uma reação de admiração diante do critério usado para tal julgamento: as boas obras!!! Talvez nós também nos assustemos com este critério. Afinal, não repetimos a cada momento que nossa salvação é pela fé e não pelas boas obras?! Não temos estampado por todos os lados o lema da Reforma “O justo viverá por fé”?! (Rm 1.17)
Antes de continuar a leitura, peço que medite um pouco a respeito da seguinte afirmação: “Deus salva pela fé, mas julga pelas obras!
Instinto [do latim instinctu] – 1. Tendência natural; aptidão inata. 2. Força de origem biológica, própria do homem e dos animais superiores, que atua de modo inconsciente, espontâneo, automático, independente de aprendizado. 3. Espécie de inteligência rudimentar que dirige os seres vivos em suas ações, à revelia de sua vontade e no interesse de sua conservação.
Querido amigo, as boas obras, para o cristão, são instintivas, naturais, próprias dele, algo que acontece de forma tão natural que, ao ser julgado por elas, ele se espanta – “mas como assim? Tudo isso sempre foi algo tão natural em minha vida, repartir o amor que recebi de Deus com o próximo, como isso pode me tornar merecedor da vida eterna?
É claro que a nossa salvação é única e exclusivamente pela fé, pois é somente através desta fé verdadeira que o Espírito Santo nos move a praticarmos boas obras.
Por outro lado, os condenados também se espantam, pois são pessoas que vivem suas vidas preocupados com a vida eterna, mas sem confiar inteiramente em Cristo e sua obra redentora. Acham que o que Cristo conquistou por nós na cruz não é o suficiente para nos garantir a vida eterna. Dessa forma, acabam por querer “fazer por merecer”. Levam uma vida inteira tentando realizar “grandes obras” aos olhos humanos, que lhes dêem reconhecimento e status social. Essas “pequenas obras” do amor cristão não servem para eles. Por isso serão lançados no inferno com o Diabo e seus anjos.
O cristão verdadeiro não se orgulha de suas obras. Diariamente se alimenta da Palavra de Deus, nutrindo sua alma para a prática das obras próprias dos seus filhos; humildemente permite que Deus guie sua vida e suas ações e, firme na fé em Jesus Cristo, segue seu caminho rumo à vida eterna.
Que o nosso testemunho de vida possa levar muitos a conhecerem o verdadeiro amor de Deus revelado em Jesus Cristo, e que dessa forma muitos possam ouvir, no último dia o maravilhoso convite: "Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que o meu Pai preparou para vocês desde a criação do mundo.” (Mt 25.34). Amém.

Pastor Marcio Loose

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

UM GRANDE ZERO


Trinta e três trilhões de dólares – em algarismos, 33.000.000.000.000. São vários zeros para descrever o prejuízo das ações nas bolsas de valores pelo mundo nos últimos dias. A quantia de dinheiro é tão grande, que só mesmo comparando com alguma coisa. Por exemplo, com o Produto Interno Bruto brasileiro que no ano passado totalizou 2,558 trilhões de reais. Isto quer dizer que as perdas nas bolsas engoliram 30 anos das riquezas de um Brasil. Não entendo nada de economia, tanto que faço um esforço danado para cuidar das minhas contas. Mas entendo o que Paulinho da Viola canta: “Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval. Na vida de um sonhador, de um sonhador, quanta gente aí se engana e cai da cama com toda ilusão que sonhou. E a grandeza se desfaz quando a solidão é mais – alguém já falou.”
Por falar em dinheiro, quanto vale o corpo humano? Um bioquímico separou os "ingredientes" essenciais do corpo de uma pessoa de 70 quilos e fez o seguinte cálculo conforme os preços no mercado: 13,2 quilos de DNA placentário = 9,7 milhões de reais; 14 quilos de ácido esteárico = 400 reais; 11 quilos de albumina de soro bovino = 38 mil reais; 3,9 quilos de fosfatos de cálcio, magnésio, zinco, cloretos de sódio e potássio = 1.050 reais; 1,1 quilo de amido = 410 reais; 40 litros de água mineral = 15 reais; total = 9 milhões e 740 mil reais. É uma conta que pode ajudar pessoas que pensam que não valem nada. Mas isto também é vendaval. Ou pior, é o que se faz por aí na medicina, no comércio de órgãos humanos e na prostituição.
Mas quanto vale mesmo um ser humano? Jesus, que deu a vida para pagar o preço (1 Coríntios 7.23), e foi vendido por trinta moedas de prata – uns mil reais – responde que o ser humano vale mais do que todas as riquezas do mundo inteiro. “Não há nada que poderá pagar para ter de volta essa vida”, complementa o Senhor (Mateus 16.26). E se o assunto é dinheiro e valor, o Salvador faz uma comparação interessante: “Por acaso não é verdade que cinco passarinhos são vendidos por algumas moedinhas? No entanto Deus não esquece nenhum deles. Até os fios dos cabelos de vocês estão todos contados. Não tenham medo, pois vocês valem mais do que muitos passarinhos!” (Lucas 12.6,7). Enquanto isto o salmista pergunta: “Ó Senhor, que é um simples ser humano para que penses nele? Que é um ser mortal para que te preocupes com ele? No entanto, fizestes o ser humano inferior somente a ti mesmo e lhe deste a glória e a honra de um rei” (Salmo 8).
Pois é bom às vezes deixar a calculadora de lado, as preocupações econômicas – e definitivamente a ganância, e refletir no real valor da vida, minha e dos outros. Deixar de olhar para aquilo que as pessoas têm, e ver aquilo que elas são. E assim descobrir que um “pé-de-chinelo” pode valer muito mais que um “dono do mundo” que não sabe onde meter a sua fortuna. Porque, no final das contas, tudo vai virar um grande zero.
Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br

CULTO ESPECIAL

No dia 01 de novembro foi realizado um culto muito especial em nossa congregação. Comemoramos os 491 anos da Reforma Luterana e também tivemos a grande alegria de ver e ouvir nossa irmã Sílvia Grasielle da Silva Geraldo confirmar seu voto batismal.
Forma momentos de grande alegria para todos. Contamos com a presença de muitos amigos visitantes e irmãos na fé.
Agradecemos a todos pela presença e parabenizamos, de forma especial, a família Geraldo por esse momento tão importante vivido neste dia. Desejamos á Silvia que continue firme na sua intenção de continuar servindo a Deus e ao próximo com muito amor.


Sílvia com seus pais e padrinhos.

Sílvia recebendo a bênção.


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

FELICIDADE


Semana passada aconteceu em São Paulo a I Conferência Nacional sobre Felicidade Interna Bruta – FIB. Vários especialistas do mundo e ONGs brasileiras debateram neste encontro sobre o que faz alguém ser feliz. Segundo a antropóloga norte-americana Susan Andrews que palestrou no encontro, pessoas felizes têm sistemas imunológicos mais fortes, vivem mais tempo, têm melhor desempenho no trabalho, são mais capazes de lidar com situações difíceis, têm melhores casamentos, se saem melhor nas entrevistas de emprego, têm maior capacidade de liderança, são mais sociáveis e despertam mais empatia nas outras pessoas. Apesar do dinheiro não tornar as pessoas mais felizes, ela explica que o conceito de felicidade não implica em negar o progresso material, mas ter uma vida equilibrada entre as coisas materiais com amorosos relacionamentos e paz interior.
A psicóloga Carla Lauffer, na palestra que assisti “Felicidade Autêntica” (baseada no livro do mesmo nome de Martin Seligman), explica que “ser feliz” tem grande relação com a maneira de se enfrentar os problemas. “Os pessimistas têm um modo pernicioso de explicar seus reveses e frustrações, enquanto os otimistas têm uma força que lhes permite interpretar os reveses como resultantes de circunstâncias temporárias”. Entendo que neste mundo onde todos indistintamente passam por situações ruins, o segredo da felicidade está na “esperança”. E aqui entra o meu campo, a religião. Porque segundo pesquisas sobre os efeitos psicológicos da fé, as pessoas religiosas são fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo. Isto quer dizer que pessoas religiosas são mais felizes, e se são mais felizes é porque tem esperança. No entanto, creio que dependendo da religião a pessoa pode ser extremamente infeliz.
A Bíblia fala bastante sobre a felicidade. Diz que quem confia em Deus é feliz (Provérbios 16.20). Jesus, depois de mencionar as famosas “bem-aventuranças” (ou “a verdadeira felicidade” na Bíblia da linguagem de hoje), lembra: “Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês” (Mateus 5.12). Mas será que o cristão deve enxergar tudo na expectativa do céu? E as conquistas aqui neste mundo terreno? Na verdade, não é preciso se desligar das coisas materiais para ser feliz – ter uma vida contemplativa. Como explica a antropóloga, é preciso equilíbrio. Uma harmonia que tem um segredo: confiança em Deus. É nesta direção que Jesus explica, após falar das bem-aventuranças: “Não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações” (Mateus 6.34).

Se alguém me perguntar: Marcos, tu és feliz? Responderei: Sim, eu sou feliz! Não só pela certeza daquilo que me está reservado lá do outro lado, mas por tantas coisas do lado de cá. Aliás, “contentamento” vem daquilo que disse o apóstolo: Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e em qualquer situação (Filipenses 4.12).

Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br

terça-feira, 4 de novembro de 2008

CONHECE-TE A TI MESMO


Gosto muito de ditados populares, penso que eles nos ensinam muitas coisas principalmente quando podemos chegar ao centro de suas proposições. Porém existe um ditado que me intriga todos as vezes que penso nele e, por mais que eu tente entender o que realmente está por trás, não encontro resposta satisfatória.
Um homem prevenido vale por dois.”
Ainda não descobri o que significa esse valer por dois, qual a vantagem que isso me dá? Talvez porque duas cabeças pensam melhor do que uma? Acho que não.
Creio que esse ditado tem mais a ver com o famoso lema da filosofia de Sócrates – “Conhece-te a ti mesmo” – um homem prevenido é aquele que se conhece tão bem que pode prever as mais variadas situações com as quais pode se defrontar, por isso está sempre preparado.
O conhecer-se a si mesmo é algo de grande valor e grande importância, porém não temos colocado isso em prática nas nossas vidas. Contudo creio que há uma resposta para esse desinteresse com relação ao autoconhecimento.
Conhecer-se a si mesmo é tornar-se consciente da própria ignorância. Conhecer-se a si mesmo é, acima de tudo, reconhecer erros, limitações, falhas, pontos fracos. Isso é difícil, é doloroso ao ser humano que quer sempre ser o melhor, quer estar acima dos outros, quer pisar, quer humilhar seu semelhante jogando-lhe na cara seus próprios atributos e virtudes.
Porém o conhecimento verdadeiro passa necessariamente pelas nossas mazelas; é necessário tocar nas feridas, é necessário tirar a sujeira que foi varrida para baixo do tapete. Porém isso não deve ser feito com o intuito de ridicularizar ou humilhar-se a si mesmo (mesmo porque esse exercício deve ser feito no nosso interior). Conhecer e reconhecer nossos defeitos é a melhor maneira de aprender para um crescimento verdadeiro e solidificado. Aprender com os acertos é gostoso, mas aprender com os erros é construtivo.
O autoconhecimento faz bem à alma. Jesus disse certa vez que deveríamos, e devemos, amar os outros como amamos a nós mesmos. Porém como amar alguém sem o conhecer? Como eu posso me amar se nem me conheço de verdade? Somos convidados a uma maravilhosa viagem, uma viagem ao nosso interior. Augusto Cury em seus livros nos convida a escavarmos tesouros dentre os destroços do nosso ser. Com certeza vamos encontrar coisas valiosíssimas quando nos defrontarmos com o nosso “eu” verdadeiro, escondido e trancado a sete chaves no fundo do nosso ser.
Diz uma música dos Titãs: “tem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro”. Existem também muitos minutos guardados num choppinho com os amigos, por exemplo, batendo um papo. Que tal fazermos um bate-papo diferente – eu comigo mesmo – aproveitando cada gole de chopp ou refrigerante (algo para refrescar nosso corpo e nossa mente nesse verão que bate a porta) para rever meus conceitos, me alegrar com meus acertos e minhas virtudes, reconhecer meus erros e meus defeitos, mudar aquilo que posso, aceitar aquilo que não tenho forças nem condições de mudar mas, acima de tudo, buscar ser eu mesmo.
Não viva sua vida pela cartilha dos outros, aprende o máximo que puder para poder escrever seu próprio manual. Conhece-te a ti mesmo. Eu ainda não me conheço bem. Que a paz de Deus nos dê sabedoria e coragem para esse autoconhecimento.

Pastor Marcio Loose.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A REFORMA NOSSA DE CADA DIA


No próximo dia 31 comemoramos o dia da Reforma, quando o Dr. Martinho Lutero afixou, na porta da Igreja de Wittenberg, as 95 teses. Essa história todos nós já conhecemos muito bem. Louvamos sempre ao nosso Deus por ter usado esse seu servo para que nós pudéssemos ter, ainda hoje, entre nós a sua Palavra sendo pregada de forma clara e pura.
Nessa época de reforma gostaria de falar de uma reforma pessoal. Aquela que Deus operou em nossas vidas e que continua operando ainda hoje.
Há algum tempo atrás andei dando uma olhada em notebook´s (aqueles pequenos computadores portáteis) nos sites de vendas pela Internet. Foi quando me deparei com uma expressão nova para mim: “factory refurbished” (recondicionado de fábrica). Para quem não tem muita intimidade com a linguagem mais técnica da informática, assim como eu não tinha, explicarei o que isso significa: durante a montagem desses computadores, que é totalmente automatizada, podem surgir alguns problemas que, mais tarde, são detectados nos testes. Quando há esse tipo de problema o computador é arrumado dentro da fábrica mesmo, contudo não pode ser vendido como sendo um computador “perfeito” por causa das exigências do controle de qualidade. Dessa forma esses computadores acabam sendo vendidos com um preço bem abaixo da tabela, mesmo tendo todas as garantias que os demais.
Quando saímos da “linha de montagem”, isto é, quando nascemos, também viemos com defeito. Mesmo sendo Deus um fabricante perfeito, nós somos defeituosos espiritualmente, por causa do nosso pecado. Daí Deus vem até nós, no Batismo, e nos reforma, nos torna perfeitos aos seus olhos por causa da obra redentora realizada por Cristo na cruz.
Contudo, assim como os computadores, com o passar do tempo necessitam de reparos, assim nós também precisamos de reparos diários, pois a cada novo dia o velho homem em nós nos leva a pecar novamente, contra o nosso próximo e contra Deus.
Essa reforma que se dá a cada novo dia nós chamamos de “batismo na vida diária”, e as ferramentas que Deus nos dispõe para tal reforma são sua Palavra e Sacramentos. Lutero descreve essa dinâmica da seguinte forma: “... o velho homem em nós, por contrição e arrependimento diários, deve ser afogado e morrer com todos os seus pecados e maus desejos, e, por sua vez, sair e ressurgir diariamente novo homem, que viva em justiça e pureza diante de Deus eternamente”. (Catecismo Menor, Batismo, “O que significa esse batizar com água?”)
Amados irmãos e irmãs no Senhor Jesus. Busquemos a cada novo dia o perdão do nosso Deus, reconhecendo que somos defeituosos e que necessitamos da ação amorosa do nosso Deus para nos reformar a cada dia. Amém.
Pastor Marcio Loose

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

NA JANELA DO CIÚME


Diz a Bíblia que "o verdadeiro amor não arde em ciúmes" (1 Coríntios 13.4). Tragicamente, deste amor a humanidade está distante, e por isto tanta gente sequestrada e morrendo. O caso da Eloá – outro circo armado – encobre um mundo de vítimas que nunca aparecerá na janela do grande público. Em todo caso, ciúme é distúrbio antigo, fonte do primeiro homicídio. E se tudo é conseqüência do ciúme de Satanás, tem explicação o fratricídio de Caim quando o Criador lhe advertiu: “O pecado está na porta, à sua espera. Ele quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo” (Gênesis 4.7). Dizem que o ex-namorado de Eloá não saía da janela dela. Não deu outra! O que a gente bisbilhota pela janela dos outros é o que entra pela porta dos nossos desejos. E isto vira obsessão perigosa quando a inveja, a cobiça, ou o ciúme já são hospedes do coração.
Os entendidos da mente explicam que o ciúme patológico tem relação com o Transtorno Obsessivo Compulsivo – doença em que a pessoa repete gestos e pensamentos sabendo que não têm sentido, mas que não consegue evitar. Foi o caso deste filho raivoso de Adão. Depois que Deus rejeitou a simulada adoração, os pensamentos dele começaram a fervilhar como nunca. Na verdade, tudo começa lá, nas mesquinhas e insistentes conversas da mente. E por isto o alerta bíblico: Encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente (Filipenses 4.8).
Ciúme até os cachorros têm, e dependendo da raça deles, a tragédia está feita. Ciúmes todos temos, e, dependendo de nossa índole, do tamanho dos nossos caninos, da força de nossas mandíbulas, e das circunstâncias, “seqüestramos e matamos”. Tem muita esposa, marido, filho, aluno, seguidor de religião, empregado, colega, que já levou tanto tiro na cabeça, e a gente nem desconfia. A explicação da epístola apostólica para este mundo de cão dentro de cada um é assustadoramente contextual: “Essa espécie de sabedoria não vem do céu; ela é deste mundo, é da nossa natureza humana e é diabólica. Pois onde há inveja e egoísmo, há também confusão e todo tipo de coisas más (...) Vocês querem muitas coisas; mas, como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las. Vocês as desejam ardentemente; mas, como não conseguem possuí-las, brigam e lutam” (Tiago 3.15, 16 e 4.2,3).
Na verdade, sentimos ciúme porque nos apossamos de pessoas e de coisas. Fazemos isto com o Criador e fazemos isto com a criação. E se por janelas acontece tanta coisa, a solução está naquele que disse: Eu sou a Porta. E daí a diferença: “Por estarem unidos com Cristo (...) vocês são bondosos e misericordiosos uns com os outros (...) não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios (...) tenham o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha” (Filipenses 2). Por isto que "o verdadeiro amor não arde em ciúmes".
Marcos Schmidt
Pastor luterano

sábado, 18 de outubro de 2008

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR


Certa feita estava Jesus com seus discípulos em meio a uma multidão, ensinando, educando, mostrando uma nova forma de ver o mundo.
Nessas ocasiões os líderes religiosos e políticos da época sempre estavam por perto, ouvindo, procurando pegar Jesus em algum deslize para colocar o povo contra ele. Em dado momento um desses líderes teve uma grande idéia – pegou uma moeda e, diante de Jesus fez a seguinte pergunta: é certo pagar impostos? Que pergunta mais sem nexo, completamente fora do contexto e aparentemente sem grandes objetivos.
Para entender onde esse líder queria chegar é importante entendermos a situação política da época. O povo judeu vivia sob o domínio de Roma e devia pagar 25% de imposto sobre suas atividades comerciais, de produção, etc. Se Jesus concordasse com a legitimidade do pagamento de impostos estaria indo contra o povo que penava para poder pagá-los a um povo estrangeiro. Por outro lado, se Jesus iniciasse um discurso contra o pagamento de tais impostos, poderia ser acusado de rebeldia.
Em sua enorme sabedoria Jesus toma a moeda em suas mãos e pergunta de quem é aquela figura nela desenhada. – “César” – respondeu seu interlocutor. – “Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” – completou Jesus. É tudo uma questão de cumprir-se a lei. As leis eram justas na época? Não sabemos. As leis são justas hoje? Esperamos que sim.
Na verdade o termo usado por Jesus foi mal traduzido. O vocábulo usado por Jesus quer dizer: “devolva”. Isso muda todo o sentido dessa expressão tão conhecida e tão usada entre nós.
Devolver...
Nós, cidadãos brasileiros, somos aqueles que mais pagam impostos no mundo. Somos o povo que temos os políticos mais caros do mundo (nossos políticos ganham mais do que políticos dos Estados Unidos e Europa). Porém o que nos é devolvido de tudo isso?
Esses impostos deveriam voltar para o povo em forma de condições básicas de vida (saúde, moradia, segurança, educação, etc), mas onde está tudo isso? Nossos políticos, que recebem tão bem e sempre em dia, que deveriam devolver para o povo bons serviços, engajamento fiel nas lutas por uma sociedade melhor e mais honesta, só nos dão desgosto e nos causam vergonha.
Como entender tudo isso? Impossível.
Deus nos deu uma vida maravilhosa, saúde, família, trabalho, etc. O quanto temos devolvido de nós mesmos ao próprio Deus, à nossa família e à sociedade onde vivemos?
Quanto do nosso tempo e dos nossos talentos e habilidades temos colocado a serviço do nosso companheiro (esposo ou esposa), dos nossos filhos. O quanto temos dedicado do tempo e talentos para fazer do nosso mundo um lugar mais agradável de se viver? O quanto temos dedicado do nosso tempo para buscarmos em Deus forças para cumprir com nossos deveres e coragem para cobrar e buscar nossos direitos?
Que a paz de Deus devolva aos nossos corações a alegria de viver, mesmo em meio a tantas decepções.

Pastor Marcio Loose

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

INSÔNIA


A preocupação com a atual crise na economia está roubando o sono de muita gente. Conforme pesquisa realizada na Inglaterra, 20% dos entrevistados têm dormido menos do que cinco horas por noite, enquanto 25% chegam a levantar três vezes da cama. Mas a insônia não vem de agora, é um problema comum no mundo ocidental dos últimos tempos. No Brasil, mais de 35 milhões de pessoas sofrem deste distúrbio. A agitação do dia-a-dia, as inúmeras obrigações, e as dificuldades financeiras são as principais causas, dizem os especialistas, e as conseqüências estão aí, na cara de gente mal humorada.
Não consigo dormir” (Salmo 102.7) já reclamava Davi. Ele tinha motivos, era o rei de Israel com inimigos dentro e fora dos muros de Jerusalém. “A minha vida é como as sombras do anoitecer”, lamenta este homem aflito, que inicia com uma súplica: “Ó Senhor, ouve a minha oração e escuta o meu grito pedindo socorro”. Confesso que já busquei orientação nestas palavras num momento de tristeza e insônia. E tive resposta ao meditar nos versos seguintes: “A terra e o céu se gastarão como roupas. Tu os trocarás como se troca de roupa, e eles serão jogados fora. Mas tu és sempre o mesmo e a tua vida não tem fim”. Tais palavras são lembradas no Novo Testamento (Hebreus 1.11,12), onde o autor explica que elas falam de Jesus: “Ele sustenta o Universo com a sua palavra poderosa. E, depois de ter purificado os seres humanos dos seus pecados, sentou-se no céu, do lado direito de Deus, o Todo-Poderoso” (Hebreus 1.3).
Ora, se dizem que o mal da insônia são as preocupações, este Jesus à direita de Deus – que pede ao Pai em nosso favor (Romanos 8.34), ele mesmo sugere: “Não fiquem preocupados com o dia de manhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades” (Mateus 6.34). E por que tamanha confiança? Paulo explica: “Se Deus nos deu o seu Filho, será que não nos dará também todas as coisas?” (Romanos 8.32) Foi esta certeza devolvida ao angustiado coração, que fez o rei Davi confessar: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro” (Salmo 4.8).
O rei Salomão, filho de Davi, já calejado na vida questiona: “O que a pessoa ganha com todo o trabalho?” Pois neste mundo onde as pessoas vivem para trabalhar em vez de trabalhar para viver, ele descobre no desfrute do poder e da riqueza que “tudo é ilusão” (Eclesiastes 4.4). E conclui: “O trabalhador pode ter pouco ou muito para comer, mas pelo menos dorme bem à noite. Porém o rico se preocupa tanto com as coisas que possui, que nem consegue dormir” (Eclesiastes 5.12).
Na verdade, o problema do sono não é o tamanho da conta bancária nem das dificuldades, mas o tamanho da fé. Por isto a recomendação: “Confie no Senhor de todo o coração (...) Quando se deitar, não terá medo, e o seu sono será tranqüilo a noite inteira” (Provérbios 3.5,24).
Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

CRIANÇAS


Além da Reforma, neste mês também comemoramos o Dia das Crianças.
As crianças têm um lugar muito especial no coração de Deus. Podemos notar isso nas palavras e atitudes de Jesus com relação a elas: “Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino de Deus é das pessoas que são como essas crianças” (Mc 10.14). “Aquele que, por ser meu seguidor, receber uma criança como esta estará também me recebendo” (Mc 9.37). “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele” (Lc 18.17).
Os pais (ou seus representantes) são responsáveis por levar as crianças a Cristo, através do Batismo, e instruí-las na sua Palavra. Mas, infelizmente, ainda hoje existem denominações que pregam que só se deve levar ao Batismo as crianças maiores de 12 anos, por dois motivos principais: por elas ainda não terem pecados (ou consciência dos mesmos) e por não poderem crer.
Contra esses argumentos a Bíblia está cheia de passagens: no Salmo 51.5, o Rei Davi deixa bem claro que “de fato, tenho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido”. Não há como negar que todos nós já nascemos pecadores, mesmo que não cometamos atos pecaminosos, o pecado está dentro de nós.
Em Mateus 18.6, nosso Senhor Jesus afirma que “ quanto a estes pequeninos que crêem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor para essa pessoa que ela fosse jogada no lugar mais fundo do mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço”. Esse texto deixa bem claro a capacidade que as crianças têm de crer. Por outro lado, quando negamos essa capacidade, na verdade estamos duvidando do poder de Deus de criar a fé nos seus corações.
Meus caros, que maravilha termos tido pais ou outros responsáveis que nos guiaram até Jesus! E que tamanha responsabilidade Deus coloca sobre nós! Pois, em nossas congregações, todos somos responsáveis pela vida espiritual de nossas crianças.
Com certeza Deus nos dá força e sabedoria para cuidarmos da melhor maneira desses seus pequenos cordeirinhos. Amém.
Pastor Marcio Loose

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"COM QUE ROUPA EU VOU?!"


Como é bom ser convidado para uma festa ou um jantar especial! Todos nós gostamos de nos reunir com amigos ou parentes em situações especiais. Pode ser uma comemoração, uma confraternização ou simplesmente para dividir bons momentos da vida com as pessoas que amamos.
Quando estamos diante de um convite especial ou nos preparando para uma dessas grandes festas ou banquetes, logo nos preocupamos, e nos fazemos a famosa pergunta: “com que roupa eu vou...” Isso é natural pois faz parte do bom asseio pessoal estar bem vestido, bem arrumado ou, no mínimo, apresentável. Então corremos pro guarda-roupas e não encontramos nada à altura de tal evento. Mas não desistimos, vamos às compras.
No evangelho de Mateus (22.1-14), Jesus compara o Reino de Deus a um Rei que prepara uma grande festa para o casamento do seu filho. Manda seus mensageiros anunciarem aos convidados que tudo estava pronto, mas eles não deram muita bola, voltaram aos seus afazeres, alguns até maltrataram os mensageiros do Rei. Então o Rei mandou que seus mensageiros saíssem pelas ruas e esquinas convidando a todos que encontrassem.
Quando o Rei chega ao salão de festa fica muito feliz, pois vê muitas pessoas, todas felizes. Contudo uma pessoa chama sua atenção. É um homem que não está usando as vestes apropriadas para tal ocasião. Isso faz com que o Rei se dirija até aquele homem e o questione sobre como ele havia entrado sem roupas de festa. Diante de tal indagação o homem se cala. Então o Rei manda que seus empregados amarrem o homem e o joguem para fora, onde haveria um grande sofrimento.
Caros amigos. A grande festa, o grande banquete que Deus tem preparado para nós é a vida eterna nos céus. Essa vida eterna não é exclusiva de algum grupo de pessoas ou de certa denominação religiosa. Ninguém detém o poder ou exclusividade nesse assunto. Quem convida é o próprio dono de tudo, o próprio Deus. E Ele quer convidar a todos para que tomem parte dessa maravilha. Contudo existem muitos que não se importam com tal convite e continuam preocupados com seus afazeres, com sua diversão, etc.
Por outro lado Deus tem abençoado tanto a proclamação da sua Palavra, desse seu convite tão maravilhoso, que podemos ver muitas igrejas lotadas, senão diariamente, pelo menos uma vez por semana. São as pessoas que responderam afirmativamente ao convite do grande Rei.
Porém há um detalhe importante. Para entrar definitivamente na grande festa (no céu), é preciso estar muito bem vestido, com vestes de gala. Mas não adianta procurar essa roupa em nenhuma loja chique dos shoppings mais badalados; não adianta ir a Paris ou buscar os mais famosos e renomados costureiros do mundo.
A única e perfeita roupa que podemos usar para entrar na festa é concedida pelo próprio Rei. É a roupa de fé em Jesus Cristo. Uma roupa perfeita que serve para todos os manequins, não fica apertada nem folgada, não fica curta nem longa demais. Ela cobre tudo aquilo que nos torna feios diante de Deus, os nossos pecados.
Mas, aqueles que acham que essa roupa de Deus não está à sua altura, que não é bela o suficiente, e procuram entrar na festa com sua própria roupa (seus méritos pessoais, boas obras) esses serão lançados fora.Meus queridos. Peçamos a Deus muita humildade para reconhecermos que somos pecadores e incapazes de cobrir ou encobrir nossos pecados. Peçamos a Deus para que nunca nos falte a sua Palavra na qual Ele nos fortalece nessa fé, a roupa perfeita para a vida eterna. Amém.
Pastor Marcio Loose

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

NA RUA DA AMARGURA


Calcula-se que dois milhões de casas já foram desapropriadas nos Estados Unidos nos últimos dois anos. Situação que pode piorar, pois outros 9 milhões de americanos devem além do valor de suas casas. No meio deste furacão hipotecário, chamou-me atenção histórias sobre “estacionamento-dormitório” contadas por uma repórter da BBC Brasil numa cidade da Califórnia. Como o caso da mulher que ironicamente vendia imóveis e que hoje mora no seu carro. "Meu Deus, o coração da América está sangrando", chora esta ex-corretora que perdeu os clientes, a moradia, e a própria dignidade. Segundo a reportagem, os banheiros públicos são fechados à noite no estacionamento, o que leva alguns a não beber nenhum líquido depois que chegam ao local porque não têm onde urinar. "Acho que ainda não vimos nem metade do que vai acontecer com este país", lamenta outra mulher que também transformou o carro em moradia.
Histórias como estas espantam porque vêm dos Estados Unidos. Se viessem da África, da China, ou mesmo daqui do Brasil, seriam apenas mais algumas entre tantas. Mas é isto que nos faz pensar e até sentir pavor. Porque ninguém está blindado a este tipo de situação – de gente que tinha tudo e agora encontra-se largado nas ruas. Deve ser a pior coisa do mundo não ter um lugar onde morar. Lembro de Jesus que reclamou: As raposas têm as suas covas, e os pássaros os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça (Mateus 8.20). Interessante que até nisto o Salvador se identifica, ele que veio para socorrer as pessoas da dívida dos pecados, e que prometeu: Não fiquem aflitos, na casa do meu Pai há muitos quartos, e eu vou preparar um lugar para vocês (João 14.1,2). A diferença é que Jesus privou-se do conforto da casa celestial sem ter nenhuma culpa, enquanto que nós aqui sofremos por irresponsabilidade própria, por querer dar o passo maior que a perna.
E se o assunto é ganância e suas conseqüências, vem à mente a advertência divina ao povo de Israel no tempo do profeta Amós: Por isso, vocês não vão morar nas casas luxuosas que construíram (Amós 5.11). O texto bíblico explica: vocês exploram os pobres, cobram impostos injustos, maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres. Chama atenção a contemporaneidade das palavras: “as ruas ficarão cheias de gente chorando” (5.16). Não quero dizer com isto que todos os que perdem as suas casas são gente má. Como nos terríveis furacões, maus e bons são afetados. No entanto, os motivos do quebra-quebra nos Estados Unidos estão evidentes.
São exemplos nesta bolha terrena onde tudo é instável. Mas são oportunidades para buscar o significado das palavras proféticas: Taparei as rachaduras das paredes e levantarei a casa que estava em ruínas, e ela ficará como era antes (Amós 9.11).

Marcos Schmidt

Pastor luterano

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

BURACO NEGRO NOS MIOLOS

O gigantesco acelerador de partículas quer desembrulhar o segredo “número um” do Universo e transformar uma especulação num fato científico. Conforme teoria, tudo o que existe é resultado da combinação de 12 partículas fundamentais e que não podem ser divididas. Mas os físicos ainda não têm a resposta para uma questão primordial: porque a matéria tem massa? Ou seja, porque uma árvore tem madeira maciça, que dá para ver, cheirar e pegar? A resposta estaria na 13ª partícula, apelidada de partícula de Deus. Ela finalmente comprovaria o Big Bang e o surgimento do Universo. Tudo depende agora dos resultados desta parafernália de oito bilhões de dólares acionada semana passada na Europa.
Luis Fernando Verissimo, no artigo A doença da curiosidade, diz que esta máquina é “espiar por baixo do camisolão de Deus”. E afirma: “Quanto mais se sabe sobre o funcionamento do Universo mais aumentam a perplexidade e a angústia por não se saber mais, por jamais se poder compreender tudo – pelo menos não com este cérebro que mal compreende a si mesmo”. Interessante as palavras deste homem que confessa ter deixado a fé no bolso da fatiota na Primeira Comunhão. Ele reafirma uma promessa bíblica: Pois Deus, na sua sabedoria, não deixou que os seres humanos o conhecessem por meio da sabedoria deles (1 Coríntios 1.21). Por isto, acredito que o resultado das experiências deste acelerador de partículas vai mesmo acelerar o crescimento deste imenso ponto de interrogação.
“No começo Deus criou os céus e a terra”. Estas palavras iniciais da Bíblia remetem para aquilo que está no restante das Escrituras: É pela fé que entendemos que o Universo foi criado pela palavra de Deus e que aquilo que pode ser visto foi feito daquilo que não se vê (Hebreus 11.3); Por meio da sua palavra, o Senhor fez os céus; pela sua ordem, ele criou o sol, a lua e as estrelas. Pois ele falou, e o mundo foi criado; ele deu ordem, e tudo apareceu (Salmo 33.6,9); Senhor nosso e nosso Deus! Tu és digno de receber glória, honra e poder, pois criaste todas as coisas; por tua vontade elas foram criadas e existem (Apocalipse 4.11). O próprio Senhor Jesus confirma: Mas no começo, quando foram criadas todas as coisas, foi dito: Deus os fez homem e mulher (Marcos 9.6). Portanto, os textos sagrados não permitem dúvidas: Deus criou o Universo já adulto, assim como fez o ser humano inteiramente crescido no sexto dia. Adão e Eva não vieram ao mundo da barriga da mãe ou do macaco, nem as primeiras árvores da semente. Logicamente é uma questão de fé.
A Ciência aposta no evolucionismo – tudo surgiu a partir de uma grande explosão há 13 bilhões de anos – o Big Bang – provocando a biodiversidade da vida no imensurável Universo e no planeta Terra. No entanto, se criacionismo e evolucionismo se chocam frontalmente entre fé e razão, os dois caminham lado a lado no terreno da esperança. Na verdade, quanto mais desvenda a complexidade da vida, a Ciência Humana mais se enreda em perguntas sem respostas. Acredito que no lugar desta máquina produzir buracos negros e engolir a Terra inteira, produze outros que irão engolfar os neurônios e o sono dos cientistas.

Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br

terça-feira, 9 de setembro de 2008

70 x 7 ou 77x ???

Todos nós conhecemos o texto bíblico onde Pedro questiona Jesus a respeito da quantidade de vezes que deveríamos perdoar uma pessoa que peca contra nós (Mateus 18.21ss). Pedro conhecia a tradição judaica que dizia que o perdão deveria ser oferecido apenas 3 vezes. Mas Pedro também conhecia o grande amor de Jesus, por isso, em seu questionamento Pedro vai muito além das 3 vezes.
“- Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?
- Não! – respondeu Jesus – Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta e sete vezes.”
Desde pequenos ouvimos uma resposta um pouco diferente da parte de Jesus. Sempre ouvimos que Jesus mandou perdoar setenta vezes sete, o que dá 490 vezes, muito mais que as setenta vezes que lemos na NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje).
Como resolver esse problema? O que fazer com esse texto? Como explicar para as pessoas essa diferença? Será que, com o passar dos anos, a paciência de Jesus diminuiu?
Não meus queridos amigos. Não há nenhum problema a ser resolvido e Jesus não perdeu a paciência conosco. O caso é que a expressão em grego usada nesse texto pode ser traduzida das duas formas (setenta vezes sete ou setenta e sete vezes).
O que Jesus quer nos ensinar é algo muito mais importante do que números. Jesus não quer que fiquemos preocupados com o limite de perdão que vamos oferecer àquelas pessoas que pecam contra nós. Isso não é o mais importante.
Jesus quer nos ensinar que devemos estar sempre prontos para perdoar, sem ficar contando quantas vezes já perdoamos, sem ficar relembrando e remoendo mágoas passadas. Jesus quer que nossos corações estejam sempre abertos, para que o amor que temos recebido de Deus possa transbordar e atingir a todos que estão ao nosso redor.
A dívida que tínhamos com Deus era imensamente maior do que qualquer ofensa que podemos receber de alguém. É este perdão recebido de Deus que nos motiva e capacita a também perdoarmos, ilimitadamente, aqueles que pecam contra nós.
O mundo prega a vingança, o “pagar na mesma moeda”, e ainda ridiculariza aqueles que agem com amor. Porém nós, que já provamos do grande amor de Deus, podemos agir de forma diferente. Pois quando não perdoamos de coração, somos nós mesmos os maiores prejudicados. Quando guardamos mágoas e rancor ou alimentamos sentimentos de vingança, é o nosso coração que vai ficando amargo, vamos nos tornando pessoas rancorosas. Lembremos de como oramos no Pai-Nosso: “e perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Notem que colocamos uma condição para esse perdão.
Perdoar é o melhor remédio.
Que nosso bom Deus continue derramando rica medida do seu amor, e que faça de nós seus instrumentos para que esse amor seja espalhado pelo mundo. Amém
Pastor Marcio Loose

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

HINO COMPLICADO


“Já podeis, da Pátria filhos, ver contente a mãe gentil...”. A maioria não sabe cantar o resto, o que não significa falta de patriotismo. Pode ser uma questão cultural. Ou porque é complicado mesmo, assim como o próprio Hino Nacional e os demais – todos com um vocabulário tipo “os grilhões que nos forjava da perfídia astuto ardil”. Penso, no entanto, que estes hinos são a cara da política brasileira, muito interessante na partitura, no papel, mas longe do entendimento popular. A gente até sabe assobiar a melodia, mas na hora de cantar, se enrola nas palavras, se confunde na memória, se perde no sentido. Por exemplo: Quem foi o meu candidato na última eleição? Qual o trabalho do Vereador? O que faz uma Câmara Municipal? Quais os compromissos do Prefeito? Para onde vai todo o dinheiro arrecadado nos impostos?
Ninguém duvida que a democracia é saudável, é bonita, igual aos hinos nacionais. Mas por nojo à corrupção, o perigo é suspirar pela canção chata da ditadura. Ao contrário, a forma popular de governo é a orquestra com uma sinfonia da liberdade, com a batuta dos direitos e deveres sem distinção, do maestro que é o próprio povo. Mas aí que começa o fenômeno do hino difícil. Porque fugimos dos ensaios, cochilamos na platéia. Incorporamos o espírito patriótico só nas Olimpíadas, na Copa do Mundo. Lembramos dos nossos representantes políticos só na euforia das campanhas. Ou na apatia. Depois os esquecemos. E pior, eles se esquecem de nós. E como diz aquela propaganda, são quatro anos sapateando. E eles nos enrolando.
Um problema que acontece também na igreja. O cristão, eleito para os propósitos de Deus (1 Pedro 1.2), cidadão dos céus (Filipenses 3.20), que recebeu de Cristo a independência da morte (1 Coríntios 15.57), pode facilmente se enredar na desafinada canção “deixa a vida me levar, vida leva eu”. Pode tapar os ouvidos ao aviso: Não vivam com vivem as pessoas do mundo, mas deixem que Deus os transforme (Romanos 12.2). Uma acomodação melódica, tradicional, distante do verdadeiro culto, do oferecer-se completamente a Deus num sacrifício vivo (Romanos 12.1). Por isto o recado: Não se enganem; não sejam apenas ouvintes dessa mensagem, mas ponham em prática o que ela manda. Porque aquele que ouve a mensagem e não a pratica é como um homem que olha no espelho e vê como ele é. Dá uma olhada, depois vai embora e logo se esquece de sua aparência (Tiago 1.22-24).
“Os grilhões que nos forjava da perfídia astuto ardil, houve mão mais poderosa, zombou deles o Brasil”. Alguém entendeu? Melhor buscar o dicionário para descobrir que é isto que fazem muitos políticos, e é disto que precisamos nos libertar: “A desleal sabedoria do jeitinho que nos moldava nas prisões, tem agora uma mão mais forte”. Esta mão é o entendimento, seja na política ou na religião. Ou como diz o texto sagrado: “Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas” (Efésios 4.14).


Marcos Schmidt

Pastor luterano

marsch@terra.com.br

terça-feira, 2 de setembro de 2008

MUDANÇA DE HORÁRIO

Queridos amigos e irmãos. Informamos a todos que, excepcionalmente neste final de semana o culto será realizado no sábado a noite, às 19:00h, e não no domingo pela manhã.
Essa mudança ocorrerá em virtude das comemorações ao Dia da Independência. Sabemos que muitas pessoas gostam de acompanhar essas comemorações, assim como aqueles que participam das mesmas.
Que Deus abençoe ricamente nossa pátria amada, Brasil!




quarta-feira, 27 de agosto de 2008

ELEIÇÕES LIMPAS

No final da tarde do dia 26 de agosto de 2008, foi realizada uma audiência pública convocada pelo juiz eleitoral Luiz Eduardo Cavalcanti Canabarro, que preside a 131ª Zona Eleitoral.
O grande objetivo de tal audiência foi promover eleições limpas e democráticas. Para que isso aconteça realmente, a população tem que exercer seu papel na fiscalização. “Esta é uma reunião informal que, por desejo e ideal, reúne várias pessoas, a fim de promover eleições mais limpas e democráticas, onde a Justiça Eleitoral esteja mais próxima da população. Estamos aqui para ouvir de vocês sugestões” – afirmou Dr. Canabarro ao dar início a audiência.
Nós como cristãos sabemos que Deus governa o mundo através das autoridades seculares, por isso devemos respeito a elas, como afirma o apóstolo Paulo na sua carta aos Romanos, no capítulo 13, versículo 1: “Obedeçam às autoridades, todos vocês. Pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele.” Por isso também é dever de cada cristão, cidadão, participar da vida da sua cidade, votando, fiscalizando todo o processo eleitoral.
O pastor Marcio teve a oportunidade de participar desta audiência fazendo parte de sua mesa. Teve também a oportunidade de falar a respeito do papel do cristão, como cidadão, diante do processo eleitoral.
Que Deus abençoe muito o trabalho dessas pessoas que tem a responsabilidade de fazer com que as eleições possam acontecer da melhor forma, para que a vontade do povo seja realmente feita.

Leia a matéria completa no site: http://diariodovale.uol.com.br/arquivo/5249/politica/politica-77058.htm

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

CULTO DE INSTALAÇÃO

O culto de instalação do pastor Marcio foi uma grande bênção. Contamos com o presença de muitas pessoas: irmãos da congregação, irmãos de outras congregações do Rio de Janeiro e muitos amigos visitantes.
A presença de todos foi muito importante e nos alegrou damasiadamente.
Convidamos a todos para participarem de nossos cultos e estudos bíblicos que acontecem sempre aos domingos a partir das 09:00h.
Um forte abraço a todos e que Deus os abençoe!

Congregação reunida para o culto de instalação.


Cerimônia de instalação.

Pastor Gilberto Krick dando sua bênção.


sábado, 9 de agosto de 2008

MOMENTO IMPORTANTE

Prezados amigos!
Não se esqueçam, neste sábado, dia 16 de agosto, às 17:00h a Comunidade Luterana de Volta Redonda estará realizando a instalação do Rev. Marcio Loose como seu pastor.
É um momento muito importante e de grande alegria. Por isso a sua presença é muito bem-vinda. Queremos repartir com cada um de vocês esse momento tão especial.
Venham todos. A casa de Deus está sempre de portas abertas!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

CONVERSA DE PAI PRA FILHO!

Queridos amigos e irmãos, estamos no mês dos pais. No próximo domingo muitos filhos darão presentes para seus pais. Pode ser um presente caro ou um simples mas caloroso abraço.
Conhecemos bem a expressão "conversa de pai pra filho". Muitas vezes ela é usada quando nos referimos àquela conversa mais séria, algum conselho ou mesmo um puxão de orelha. Porém a conversa de pai pra filho não deveria ter apenas essa conotação. Creio que se fala de conversa de pai pra filho, em primeiro lugar, deveria vir a nossa mente momentos de alegria, de cumplicidade, de total confiança de ambas as partes.
Em toda a Bíblia vamos encontrar relatos de conversas entre Deus, o nosso Pai, e seus filhos. Uma dessas conversas encontramos registrada no livro de 1 Reis (19.9-18). Deus encontra seu filho, o profeta Elias, escondido numa caverna no Monte Sinai. Deus vem ao seu encontro o que Elias estava fazendo ali. Elias então abre seu coração diante do seu Pai. Ele relata o que havia acontecido: o povo de Israel quebrou a compromisso feito com Deus, destruiu os altares e matou os profetas; só restou Elias, e este estava sendo perseguido para também ser morto.
Imaginem: um povo ao qual o profeta dedicou sua vida em serviço, agora se rebela e quer matá-lo, como fizeram com os outros profetas. Quanta falta de gratidão.
O Pai de amor ouve as reclamações do seu filho Elias, oferece seu ombro para que ele chore, consola e ampara seu filho desesperado. Mas o Pai não fica só nisso, Ele dá forças para que seu filho retome sua vida e seu trabalho. Deus manda o profeta Elias de volta ao meio do povo para que, através do seu trabalho, o próprio Deus possa resolver o problema criado pelo seu povo escolhido.
Meus caros amigos, quantos filhos estão hoje vivendo a mesma situação do profeta Elias? Angustiados, tristes, abatidos, sem saber pra onde ir ou a quem recorrer. Deus vem ao nosso encontro e pergunta: o que você está fazendo aqui? por que você está sofrendo? quais são seus medos, suas angústias? Nosso Pai eterno quer nos ouvir, quer que abramos nossos corações e coloquemos diante dEle tudo aquilo que nos aflige.
Deus quer nos receber em seus braços, nos dar conforto, nos dar alívio. Mesmo que o nosso problema não seja resolvido como imaginamos. Talvez Deus nos diga, como disse ao apóstolo Paulo: a minha graça te basta. Contudo Ele nunca nos abandona.
Assim, aliviados e revigorados o nosso Deus e Pai nos envia de volta as nossas vidas para continuarmos com nossas tarefas, com nossas responsabilidades, com nossas alegrias. E nós voltamos com uma tarefa muito linda: testemunhar esse grande amor para que mais pessoas possam saber que temos um Pai maravilhoso, disposto a nos ouvir e nos ajudar. Para que mais pessoas possam sentir a alegria que nós sentimos ao termos essa conversa de Pai pra filho, uma conversa sincera e construtiva.
Sabemos que muitas pessoas nesse domingo dia 10 não terão a quem abraçar, talvez pela distância, talvez por brigas ou dificuldades no relacionamento, talvez porque a morte levou seus pais. Sejamos nós os braços do Pai do céu. Sejamos nós mensageiros desse grande amor.
Que Deus abençoe a todos os pais, hoje e sempre.
Pastor Marcio Loose.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

INSTALAÇÃO

A Igreja Evangélica Luterana do Brasil, Comunidade Volta Redonda, tem o prazer de convidar todos a prestigiarem a instalação do Rev. Marcio Loose como pastor desta comunidade.
O ato de instalação será realizado em culto público no dia 16 de agosto do corrente ano, às 17:00h, na sede da comunidade, situada na Rua 217, 5, Conforto, Volta Redonda.
Todos são bem-vindos!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

ALGEMAS DOURADAS

O “prende e solta” do bilionário Daniel Dantas me fez lembrar a Epístola de Tiago (2.1-4): “Nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas. Por exemplo, entra na reunião de vocês um homem com anéis de ouro e bem vestido, e entra também outro, pobre e vestindo roupas velhas. Digamos que vocês tratam melhor o que está bem vestido e dizem: ‘Este é o melhor lugar; sente-se aqui’, mas dizem ao pobre: ‘Fique de pé’ ou ‘Sente-se aí no chão, perto dos meus pés’. Neste caso vocês estão fazendo diferença entre vocês mesmos e estão se baseando em maus motivos para julgar o valor dos outros”.
Se isto é comum dentro da própria igreja, não é nenhuma surpresa o que acontece nesta sociedade que julga pressionada pelos cifrões. Por exemplo, metade dos presos no Brasil espera decisão semelhante a esta que Dantas recebeu do presidente do Supremo Tribunal Federal. Por que um banqueiro em menos de cinco horas é libertado e um “ladrão de galinha” apodrece na cadeia por meses esperando julgamento? E o lamentável é que tal parcialidade em tratar com deferência ricos e pobres é uma peste que atinge todos, crentes e descrentes. Os vigaristas sabem disto. Apresentam-se bem trajados e enganam empresários inteligentes, mulheres carentes, aposentados desavisados. Histórias não faltam! Por que? Porque as aparências enganam.
Isto é coisa antiga. Já percebia o Sábio da Bíblia: Neste mundo eu também reparei o seguinte: no lugar onde deviam estar a justiça e o direito, o que a gente encontra é a maldade (Eclesiastes 3.16). Por isto o irônico conselho (que o delegado que prendeu Dantas não ouviu): Não critique o homem rico nem mesmo dentro do seu próprio quarto, pois um passarinho poderia ir contar a eles o que você disse (Eclesiastes 10.20). E por isto também a hipócrita realidade: Os ricos arranjam muitos amigos, mas o pobre não consegue nem conservar os poucos que tem (...) Se o pobre é desprezado até pelos seus próprios irmãos, não é de admirar que os seus amigos se afastem dele (Provérbios 19.4, 7).
Evidentemente que ser rico não é nenhum pecado. O erro é a idolatria, a cobiça. É a origem iníqua da fortuna – algo corriqueiro em nosso país. É o tratamento desigual entre os que têm e os que não têm. Ou a insensibilidade dos ricos honestos para com o infortúnio dos miseráveis. O erro é a própria disparidade social da concentração de renda, ou seja, ricos aviltantemente ricos e pobres miseravelmente pobres. Por isto a condenação do profeta já naquela época: Vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres. Não admira que num tempo mau como este as pessoas que têm juízo fiquem de boca fechada (...) Façam com que os direitos de todos sejam respeitados nos tribunais. Talvez o Senhor, o Deus Todo-Poderoso tenha compaixão das pessoas do seu povo que escaparem da destruição (Amós 5.12-15).
O evangelista conta que o abonado e desonesto Zaqueu, depois de arrepender-se e crer no Filho de Deus, fez uma promessa: Eu vou dar a metade dos meus bens aos pobres. E, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais (Lucas 19.8). Imaginem se a metade dos milionários desonestos deste país seguisse o exemplo de Zaqueu? Estaria resolvida grande parte da corrupção e da pobreza nesta terra das algemas douradas.


Marcos Schmidt
marsch@terra.com.br
pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo
Novo Hamburgo, RS

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O INTOLERANTE BAFÔMETRO

O tempo vai dizer se a incompassível lei de trânsito contra a bebida é boa ou não. Num país embriagado por coquetéis de legislações, pode ser outra regra cambaleante sob os efeitos sonolentos de uma fiscalização ineficiente. O assunto é polêmico, e também tem implicância no terreno religioso. Afinal, enquanto denominações já condicionam tolerância zero no uso da bebida alcoólica em qualquer situação, outras toleram liberdade no caminho da moderação. É o caso da minha igreja que não julga o uso responsável de bebida alcoólica, e que até oferece vinho na Santa Ceia. Aliás, aqui começa um problema para nós, cristãos luteranos, porque aquele pequeno gole que ingerimos na comunhão eucarística do altar já pode causar um terrível transtorno lá fora, caso formos abordados numa ação policial com bafômetro. Em todo o caso, se é para acabar com os “bebuns” do volante e reduzir a carnificina nas estradas, que seja bem-vinda tal “lei seca”. Os dados confirmam que o álcool, além de causar um prejuízo anual de 70 bilhões de reais ao país no tratamento de doenças, acidentes de trânsito, violência, ausência no trabalho etc, é culpado por quase a metade dos acidentes de trânsito.
No tempo bíblico em que carros eram puxados sob o bafo dos cavalos, o exagero na bebida provocava “mortes” no próprio culto cristão. Conforme costume da igreja primitiva, a Santa Ceia acontecia numa confraternização com comida e bebida. No entanto, Paulo escreve para a congregação de Corinto: Nas instruções que agora vou dar a vocês, eu não posso elogiá-los... Quando se reúnem, não é a Ceia do Senhor que vocês comem... Enquanto uns ficam com fome, outros chegam até a ficar bêbados... e alguns já morreram (1 Coríntios 11). O texto registra as imprudências: embriaguês, brigas, falta de amor, egoísmo. Em sinal de alerta, o apóstolo aponta para os danos: Pois a pessoa que comer do pão e beber do cálice sem reconhecer que se trata do corpo do Senhor, estará sendo julgada ao comer e beber para o seu próprio castigo (1 Coríntios 11.29).
Tolerância zero, infração e castigo são palavras que também surgem quando o assunto é a lei de Deus. Não existe retorno, o único caminho é seguir reto. Sejam perfeitos, diz Jesus, assim como é perfeito o Pai de vocês que está no céu (Mateus 5.48). Quem quebra um só mandamento da lei é culpado de quebrar todos, lembra Tiago (2.10). Por isto, no teste do bafômetro divino, ninguém escapa: Não há ninguém que faça o bem, não há ninguém mesmo (Romanos 3.12). Seria o precipício sem a ponte se não fosse o supremo tribunal divino intervir e fazer Cristo soprar o bafômetro no lugar dos transgressores. É o Evangelho – a boa nova. Ou como diz a Bíblia: Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva (Romanos 3.24).
Na verdade, em âmbito espiritual, segue-se no caminho da Lei com tolerância zero, ou no caminho de Cristo. Eu optei por este que me dá livre arbitro, consciência tranqüila e responsabilidade. E mesmo quando ninguém tem o direito de me julgar por causa de comida ou bebida (Colossenses 2.16), em outra via, sei que todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm (1 Coríntios 10.23). Já no âmbito desta nova lei de trânsito, é o bafômetro que vai dizer se estou livre para seguir no volante.

Marcos Schmidt
marsch@terra.com.br
pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo
Novo Hamburgo, RS

quarta-feira, 11 de junho de 2008

NAMORO, POLÍTICA E O GRAVADOR

Namoro e política dependem de honestidade e confiança! É por isto mesmo que estão na corda bamba. Para se ter idéia, pesquisa diz que apenas um em cada quatro brasileiros casados espera fidelidade do parceiro. Isso significa que 75% das pessoas comprometidas acreditam que, cedo ou tarde, podem ter de encarar a traição no Brasil. "Parece que ter um relacionamento extraconjugal já foi incorporado pela nossa cultura, mesmo que isso não seja o que as pessoas almejam", diz a professora da USP que fez a pesquisa tempos atrás. Enquanto isto, nesta semana um levantamento revela que 72% dos entrevistados não confiam nos partidos políticos. O dado faz parte do Barômetro de Confiança, instrumento de análise do grau de credibilidade dos brasileiros nas instituições e órgãos públicos do país. São duas revelações preocupantes. Enquanto que a honestidade já foi para o baú junto com o romantismo, a deslavada mentira fica cada vez mais evidente e comprovada com a tecnologia a serviço da desconfiança.
O artista plástico francês Titouan Lamazou viajou pelo mundo em busca de pessoas das mais variadas culturas, para compor uma seleção de fotografias com texto, intitulada “Mulheres do Mundo”. Entre 20 questões respondidas pelas entrevistadas, uma desperta atenção quanto à pergunta: quais as qualidades que deseja em um homem? De acordo com Lamazou, a honestidade e a sinceridade reinam absolutas no topo do ranking. Pois não surpreenderia uma resposta parecida, se tal pergunta fosse feita aos eleitores quanto aos políticos.
Antigamente era o fio do bigode. Hoje é o fio da meada perdido num rolo sem tamanho, e que só tem jeito com a tesoura. A gente sabe que mentira e corrupção sempre existiram tanto no seio familiar como nas relações políticas e sociais. Mas as coisas degringolaram em nosso país. Algo parecido com a situação de Israel no século sétimo antes de Cristo. O reinado de Jeroboão II alcançou sucesso e prosperidade (2 Reis 14), mas o cheiro da podridão moral atraiu um bando de abutres: idolatria, falsos juramentos, roubos, injustiças, opressões, adultérios e homicídios. No livro de Amós, a advertência perpassa os tempos e cai hoje como uma luva: “O povo de Samaria não sabe fazer nada com honestidade” (3.10); “Pais e filhos têm relações com prostitutas (2.7); “Vocês têm ódio daqueles que defendem a justiça e detestam as testemunhas que falam a verdade; vocês exploram os pobres e cobram impostos injustos das suas colheitas (...) Vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres. Não admira que num tempo mau como este as pessoas que têm juízo fiquem de boca fechada!” (5.10-13)
Sobre o Brasil que parece avançar para a prosperidade econômica, só existe uma saída a fim de que esta segurança material seja uma bênção para a nação diante de tamanha imoralidade que sacode o lar e a política. É a mesma indicada pelo profeta: “Procurem fazer o que é certo e não o que é errado, para que vocês vivam. Odeiem aquilo que é mau, amem o que é o que é bom” (Amós 5.14,15). Este é o caminho para que o namoro aflore em bom casamento e a política em ordem e progresso.


Marcos Schmidt
marsch@terra.com.br
pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo
Novo Hamburgo, RS