quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Omissão Paterna

No Domingo passado programas de televisão falaram sobre o aborto. Dias antes veículos de comunicação do mundo inteiro anunciavam a bárbara notícia de uma mulher que havia assassinado oito filhos recém nascidos e enterrado nos fundos de casa.

Ao comemorarmos mais um dia dos pais pergunto sobre onde estão os pais das crianças abortadas? E perguntei-me sobre o posicionamento do pai daquelas crianças assassinadas na França. Porém a própria reportagem que assisti trouxe a resposta – a repórter anunciou: “O marido da francesa alega que não sabia dos assassinatos.”

É ironia demais! O marido não sabia das oito vezes em que a mulher esteve grávida? Não sabia onde haviam parado as crianças após o nascimento? Algumas mulheres que estavam ao redor observando e ouvindo a mesma notícia logo disseram: “Ah! É sempre assim! O Pai nunca sabe de nada!”

Ali estava um desabafo não apenas de “algumas” mulheres, mas, creio eu, de uma sociedade inteira que sofre de omissão paterna e clama: “O pai nunca sabe de nada!”

Sei que as grandes vítimas dessa omissão são os filhos, mas também entendo que os pais omissos igualmente acabam perdendo. Afinal, perdem de presenciar muitos milagres, perdem de participar e acompanhar uma vidinha crescendo, sorrindo, nos abraçando! Perdem muita coisa!

Nesse mundo todos somos culpados e ao mesmo tempo todos somos vítimas, porém de uma coisa todos podem ter certeza – há uma Pai perfeito que sabe de tudo, que nos conhece por inteiro (Sl 139) e nos ama de maneira integral. Esse alguém é nosso Deus! Jesus nos ensinou a chamá-lo de Pai Nosso. A pessoa que conhece esse Deus pode repetir as palavras bíblicas que dizem: “Ainda que o meu pai e a minha mãe me abandonem, o Senhor cuidará de mim. (Sl 27.10).”

Somente esse amor poderá cobrir e vencer as atrocidades desse mundo. Como diz a Escritura: “Nós amamos porque Deus nos amou primeiro." (1 Jo 4.19).

O conselho para pais e filhos é que conheçam um pouco mais desse amor celeste. Pois é apenas nesse amor que deixaremos a “Omissão” e assumiremos nossa verdadeira “Missão”, como pais responsáveis ou como filhos obedientes. Que Deus nos abençoe!

Pastor Ismar Lambrecht Pinz
Comunidade Cristo Redentor.
Pelotas - RS.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mão à palmatória


Meu filho de 10 anos, atento a tudo, já me disse: “Pai, qualquer coisa ligo para o 190”. A brincadeirinha dele, no entanto, virou coisa séria. Este projeto de lei contra a palmada está gerando grande discussão. Gente da área jurídica afirma que é inconstitucional, pois o Estado interfere na privacidade das famílias, impondo limites ao direito que os pais têm de educar os filhos. Também há o argumento que, se o maltrato acontece contra a criança, é porque a lei que já existe não é aplicada. “É uma questão de lógica”, escreve Reinaldo Azevedo, “se o sujeito não teme a lei que proíbe o mais, não vai temer a lei que proíbe o menos”.

Quanto ao mérito da palmada, as opiniões também se contradizem. Alguns afirmam que o castigo físico não resolve, pelo contrário, deseduca e desperta a cultura da violência. Outros já defendem que, na medida certa, tem função pedagógica. O assunto divide gente entendida. Gente entendida? Quem tem a razão? Confesso que eu mesmo estou em dúvida depois de tanta coisa que li e ouvi. Estamos no mato sem cachorro. O assunto é complicado, e penso que o grande proveito nisso tudo é a reflexão sobre o nosso jeito equivocado na educação dos filhos. Precisamos “dar a mão à palmatória” e confessar que perdemos o controle sobre as crianças (quem sabe porque perdemos o controle sobre nós mesmos) e não sabemos mais o que fazer com elas, que tomaram conta da casa, da escola, da rua.

Diz a Bíblia: “Não deixe de corrigir a criança. Umas palmadas não a matarão. Para dizer a verdade, poderão até livrá-la da morte” (Provérbios 23.13). Por outro lado, observa: “Pais, não tratem os seus filhos de um jeito que faça com que fiquem irritados. Pelo contrário, vocês devem criá-los com a disciplina e os ensinamentos cristãos” (Efésios 6.4). No livro de Hebreus (12.9) até há uma comparação com a disciplina divina: “No caso dos nossos pais humanos, eles nos corrigiam, e nós os respeitávamos. Então devemos obedecer muito mais ainda ao nosso Pai celestial e assim viveremos”.

Porque o lar terceirizou a educação dos filhos, o estado então sobrecarrega a sociedade com leis – que não consegue aplicar – e assume o papel da família. É preciso voltar a sermos pai e mãe antes que o Conselho Tutelar entre em nossa casa.

Marcos Schmidt
Pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

domingo, 18 de julho de 2010

Vida Devocional

Como anda sua vida devocional? O texto bíblico que me levou a fazer esta pergunta é o Evangelho desse domingo registrado em Lucas 10.38-41.

Jesus se hospeda na casa das irmãs Marta e Maria e enquanto a primeira está a lhe servir a outra fica aos pés do Mestre ouvindo seus ensinamentos. Então, diante da reclamação daquela que estava ocupada com todo o trabalho da casa, Jesus responde: “Marta, Marta, você está agitada e preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária! Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela” (Lc 10.41).

Confesso que Marta me é bem mais simpática do que Maria. Acho que é porque me identifico mais com ela. Eu ando preocupado com muitas coisas. São as atividades do calendário; são as contas; é o trânsito; são as informações do mundo todo que chegam diariamente na minha casa. É tanta agitação que não acho tempo para a única coisa que ninguém vai me tomar: as palavras da Vida!

Mas eu posso ser Maria também e arranjar tempo para o culto, a leitura da Bíblia, a vida devocional. Enfim, a base da nossa fé é Jesus. Na Palavra do Ressuscitado eu aprendo a morrer para o pecado e ressuscitar para a justiça.

Ainda há espaço e necessidade para o exercício da vida devocional no nosso dia a dia. As sugestões de Lutero nos ajudam nessa prática. Ele falou que é preciso a gente se concentrar, silenciar os pensamentos, aquecer o coração e entrar em contato com as palavras bíblicas.

A propósito, como está sua vida devocional? Você consegue arranjar um tempo para falar com Deus em oração e ler a Sua Palavra? Sozinho? Em família? Na igreja com os irmãos na fé?

Em todos os casos, eu não consigo deixar de ser Marta nesse mundo cheio de agitações. Mas posso ser Maria também e dar a devida atenção à Palavra – a melhor de todas as coisas que ninguém vai nos tomar.

Edgar Lemke
Comunidade Evangélica Luterana da Cruz
Porto Alegre - RS