terça-feira, 16 de junho de 2009

Turbulência na alma

O pastor luterano Genivaldo Agner que trabalha em Portugal, após ler meu artigo da semana passada, mandou um e-mail: “Marcos, quinze dias atrás, eu, minha esposa e o nosso filho de cinco meses fizemos o mesmo trajeto do avião que caiu, no mesmo horário. As nossas idas e vindas para o Brasil não serão mais as mesmas. E querendo ou não, quando passarmos por aquela zona de grande turbulência (elas sempre acontecem por ali), lembraremos do voo 447. Um dos comissários de bordo deste voo, brasileiro, conversou conosco e cuidou para que nosso filho pudesse ter o seu berço bem colocado. Coisas que agora nos emocionam”.

– Sempre tive medo de avião e não consigo dormir quando viajo, confessou o presidente Lula nesta semana. Pensando bem, a poltrona do avião é um lugarzinho incômodo que revira coisas que estão lá no bagageiro de nossa vida. Quanta coisa passa pela cabeça nestas horas quando se está lá nas alturas:
– “Será que chego ao destino são e salvo? E se morrer, sentirão a minha falta? E as coisas erradas que fiz? Para onde vou depois da morte?

Aliás, foi assim que no ano passado um pastor confessou ter assassinado a esposa. Apavorado com os balanços do jatinho, o homem começou a chorar e contou tudo aos policiais que o conduziam ao tribunal. Isto aconteceu num voo de Santos à Brasília, e foi a prova para a condenação dele. Não é preciso ser um criminoso, mas são nestes momentos que a consciência de qualquer um de nós acende a luz vermelha e toca o alarme. É a chance de confessar...

No entanto, será que este tipo de turbulência não deveria nos sacudir também na poltrona da nossa casa? Afinal, morre mais gente dentro de casa que dentro de avião. “Ninguém pode evitar a morte, nem deixá-la para outro dia. Nós temos de enfrentar esta batalha, e não há jeito de escapar”, avisa a Bíblia em Eclesiastes (8.8). Enfrentar a batalha da morte? Mas de que jeito? Com seguro de vida, testamento, cemitério? Aliás, algumas vítimas do avião francês nem precisarão de túmulos. O que aumenta ainda mais a agonia dos familiares. Li que a localização dos corpos e a confirmação da morte podem ajudar os parentes a superar a perda. É o inevitável enfrentamento dos que permanecem no vale da sombra e da morte. Mas o “dia D” desta batalha é pessoal – igual a uma carteira de identidade. E dependendo das armas, ou a morte morre e a vida vive, ou a morte vive e a vida morre.

O maestro Silvio Barbato, uma das vítimas do vôo 447, só voava com um crucifixo, conforme disse a mãe dele numa homenagem em Porto Alegre. Quando atravessava uma zona de turbulência, apertava-o com tanta força que ficava com marca nas mãos. Creio que para afastar o pavor de qualquer coisa nesta vida turbulenta, melhor mesmo é apertar a própria consciência com a cruz. E só existe um jeito: “Nada pode nos separar do amor de Deus, nem a morte, nem a vida (...) nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor” (Romanos 8.38, 39).

Marcos Schmidt
Pastor luterano

marsch@terra.com.br

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mega-Sena Celeste

O título acima chega a ser um sacrilégio, no entanto apropriado para uma comparação.

O fato virou notícia. Um apostador de Taubaté acertou na Mega-Sena passando a ter direito a mais de 5 milhões. Outros ganhadores viraram manchete, mas esse entraria para a história das apostas no Brasil como o maior prêmio não retirado, esquecido, abandonado!

Já havia passado 3 meses e nada do apostador retirar o seu prêmio! O prazo era o dia 09 de junho. Caso o apostador não aparecesse o dinheiro seria destinado a estudantes. Porém no último momento, o apostador apareceu! Por acaso ele viu os noticiários no dia anterior e resolveu conferir seus bilhetes de aposta.

Caso ele não tivesse visto as notícias, teria sido em vão! Fico imaginando esse sujeito se tivesse descoberto que era vencedor no dia seguinte!

A Bíblia nos expõe que um prêmio foi conquistado para todos. Não foi fruto de sorte. Antes, deu muito trabalho! O trabalho foi do Senhor Jesus e o prêmio conquistado é a vida eterna por todos e para todos! O curioso é que, assim como no caso da Mega-Sena, o vencedor precisa tomar posse do prêmio, caso contrário, ele não o recebe. Assim, Jesus morreu para o perdão dos pecados de toda humanidade. Porém, é somente mediante a fé que tomamos posse deste perdão e da conseqüente salvação.

No caso do milionário de Taubaté, ele tinha o prazo das 16h do dia 09 de junho. Felizmente ele chegou a tempo. Hoje está rindo à toa!

A Bíblia conta à história do malfeitor que morreu ao lado de Jesus, como alguém que tomou posse do seu prêmio no último instante! (Lucas 23. 39-42)

As boas notícias proclamadas pela Palavra do Livro Santo anunciam que em Jesus somos vencedores. Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça, que creia e se aproprie desta graça!

A Bíblia não é um bilhete de apostas, mas quando fica esquecida, prêmios e bênçãos de Deus são deixados de lado. Mas ainda há tempo. Confira as promessas de Deus! Confie nelas! Acredite! Você foi contemplado com milhares de bênçãos e com a própria vida eterna.

Pastor Ismar Lambrecht Pinz
ismarpinz@yahoo.com.br
Comunidade Cristo Redentor, Pelotas, RS.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Se as águas do mar da vida...

O avião que caiu em alto mar era um dos mais sofisticados do mundo. Por incrível que pareça, a moderna tecnologia pode ter sido a causa do acidente. Estes aviões da Air France têm um sistema para impedir que falhas humanas coloquem em risco a segurança do vôo. Mas o computador pode errar. E nestes casos, a máquina tem o comando e os pilotos não conseguem desligar o sistema e corrigir as manobras equivocadas. Isto já tinha acontecido em duas situações com este tipo de aeronave, mas os pilotos conseguiram evitar um desastre.

Até parece aqueles filmes de ficção dos robôs contra os humanos. Se a gente pensar mais a fundo, a coisa é real pois a máquina tem o domínio. E se alguns acreditam que a salvação está na tecnologia, o contrário pode ser a verdade. Afinal, existe a possibilidade de nosso planeta ser destruído em segundos pela bomba atômica, ou em alguns anos pela fumaça das indústrias e dos carros que provoca o efeito estufa. Mas fazer o quê? Não viajar de avião? Jogar fora o computador? Voltar aos tempos de nossos avós? Ou fugir como fez Santos Dumont, que em profunda depressão suicidou-se ao ver seu invento nos céus da Primeira Guerra Mundial?

Estamos sempre em perigo de morte” (2 Coríntios 4.11), escreveu o apóstolo numa época quando as máquinas eram de paus e pedras. Creio que a penosa lição nestas inevitáveis tragédias, e que tentamos deletar dos pensamentos, é bem direta: a vida passa logo. Se para as 228 pessoas deste vôo trágico a vida desintegrou-se em um minuto, qual a diferença para uma pessoa que caminha naturalmente para o fim desta jornada terrena? É só perguntar para alguém enrugado e de cabelos brancos, e ele vai responder que tudo passou rapidamente. Moisés já tinha experimentado: “Mil anos são como um dia, como o dia de ontem, que já passou; são como uma hora noturna que passa depressa (...) A vida passa logo e nós desaparecemos” (Salmo 90.4,10).

No entanto, é nesta hora de perplexidade em meio aos destroços da vida em alto mar que aparece no horizonte o Sol da esperança. Pois neste mundo onde uma “falha elétrica” mudou a trajetória da vida, o Criador resolveu assumir o comando do vôo. O próprio Salvador testifica: “Ninguém subiu ao céu a não ser o Filho do Homem que desceu do céu (...) Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo” (João 3.13,17).

São várias causas possíveis para este acidente com o vôo 447 da Air France, inclusive um atentado terrorista. E difíceis as chances para localizar a caixa preta e ter as respostas. Mas a ausência destas questões e de tantas outras não tem o poder de encobrir o que já foi revelado. Como diz a Bíblia: “Pois o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna, que temos em união com Cristo Jesus, o nosso Salvador”. Por isto os cristãos entoam: “Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai (...) Não temas, segue adiante e não olhes para trás. Segura na mão de Deus e vai”.

Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br