quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O evangelho se resume em carregar


Leia: Lucas 15.3-7

“Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo”. (v. 5)

Em todo o evangelho dificilmente existe exemplo mais lindo que este em que o Senhor Jesus Cristo se compara a um pastor que põe a ovelha perdida sobre os ombros e a carrega de volta ao curral. Ainda hoje ele continua fazendo isso.

Esta é, portanto, o resumo do evangelho: O reino de Cristo é um reino de misericórdia e graça, onde não senão um constante carregar. Cristo carrega nossas fraquezas e doenças, toma sobre si nossos pecados e é paciente quando falhamos. Estamos constantemente sobre os seus ombros. E ele também não se cansa de carregar o que nos deve servir de grande consolo quando somos tentados a pecar. Neste reino, os pregadores devem consolar as consciências, tratar com elas de forma amigável e nutri-las com o evangelho. Devem carregar os fracos, curar os doentes e devem saber dividir corretamente a palavra e administrá-la a cada um conforme suas necessidades.


Martinho Lutero (1453-1546)

Doutor em Teologia

Fonte: Comissão Interluterana de Literatura

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Falsas Interpretações do Apocalipse - Parte 3


Milênio

Segundo alguns, o milênio é um período de paz que vai anteceder a vinda de Cristo, em que o lobo vai morar com o cordeiro e todo o Israel será salvo

O milênio é um ensino materialista, que pressupõe que os israelitas mortos vão ressuscitar e ter uma segunda chance, o que contraria as Escrituras (Hb 9.27). Pressupõe também que Cristo virá um dia governar pessoalmente este mundo, o que contraria o que o próprio Cristo disse: “ O meu reino não é deste mundo” (Jo. 18.36)

O milênio material não tem lugar nas Escrituras. Milênio é o tempo da graça, da Igreja de Deus aqui na terra. Com a vinda de Cristo, o mundo acaba, dando lugar ao novo céu e a nova terra ( Is 11.4-9; 2 Ts 1.7-9; Pe 3. 10-13)

O acorrentamento de Satanás é uma maneira simbólica de se falar que o poder de Satanás foi limitado. Começou com o ministério público de Cristo (Lc 11.20-22), culiminando com a sua morte na cruz (Cl 2.14,15; Ap 12. 7-9; Jo 12.31-33; Hb 2.14,15 1Pe 3.18,19).

A primeira ressurreição é a ressurreição espiritual, que ocorre na conversão (Cl 2.12, 13; 3.1-4; Ef 2.1,5,6; Jo 5.24,25) A segunda ressurreição é a ressurreição do corpo para a vida eterna, que ocorre n volta Cristo (Jo 5.28,29). A segunda morte é a condenação eterna (Ap. 20.10,14). Assim: Quem não fizer parte da primeira ressurreição (conversão), também não fará parte da segunda (vida eterna)


Estudo extraído da Revista Mensageiro Luterano, Agosto de 2010

Autoria: Lindolfo Pieper, pastor emérito da Igreja Luterana

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Falsas Interpretações do Apocalipse – Parte 2


Armagedom

Armagedom é para muitos um acontecimento que terá lugar no monte Megido, em que os cristãos de todo mundo, liderados por Cristo, vão lutar contra os inimigos do Evangelho, comandados pela besta e o falso profeta, que ficam cuspindo sapos de sua boca a fim de amedrontar os homens

Nesta batalha, os inimigos serão morto pelo exército de Cristo, cujo sangue escorre até o freio dos cavalos, numa extensão de 300 quilômetros. Estes corpos ficarão estirados no chão, servindo de comida para as aves do céu

Esta ideia, porém, tem alguns inconvenientes: 1) Deus vai ter que fabricar este monte, pois tal lugar não existe; 2) O povo de Deus vai ter que se deslocar para a Palestina e pegar em armas para defender o Evangelho, o que contraria as Sagradas Escrituras( Efésios 6.11-13, 17; Mateus 26.52)

Armagedom é uma guerra espiritual, em que os inimigos de Cristo, comandados pela besta e o falso profeta, vão se unir para destruir a Igreja. Porém, antes que isso aconteça, Deus intervém, colocando fim no atual sistema de coisas. É a mesma batalha que encontramos no capítulo 9 (sexta trombeta), no capítulo 19 (Cristus Victor) e no capítulo 20 (Gogue e Magogue)

Esta é uma maneira simbólica para se falar do Juízo Final, que, para os inimigos de Cristo, será um dia de vingança (Apocalipse 6.12-17). É a vindima de Ap 14.17-21, onde fala do largar da cólera de Deus, em que o sangue dos inimigos de Cristo corre até o freio dos cavalos, numa extensão de 300 quilômetros

Os reis da terra, liderados pela besta, são os governos do mundo (dez chifres, dez dedos), que perseguem a Igreja ou adotam filosofias anticristãs, como o marxismo, o comunismo, o islamismo, o budismo, o xintoísmo e o espiritismo

Os sapos expelidos pela boca do dragão, da besta e do falso profeta (Apocalipse 16. 13,14) representam os falsos profetas que vão sair pelo mundo afora para enganar o povo com seus falsos ensinamentos, operando grandes sinais e prodígios. A sua atuação será intensa que obrigará Deus a apressar a vinda de Cristo, para que os próprios eleitos não se percam (Mateus 24. 22-24)

Nesta batalha, não haverá derramamento de sangue. A espada que sai da boca de Cristo é a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, também chamada de o sopro da sua boca (2 Tessalonicenses 2.8), As aves, comendo a carne das vítimas, representam os demônios, simbolicamente, devorando os condenados no inferno (Ap 19. 17,18). No livro do profeta Isaías, numa linguagem figurada, esses corpos ficam estirados no chão, queimando no fogo, numa alusão clara ao fogo do inferno ( Isaías 66.24; Marcos 9.42-48)

O anticristo é a personificação dos falsos profetas e falsos cristos, que enganam o mundo com falsos ensinamentos, obrigando Cristo a abreviar a sua volta. Nota-se que Cristo e os apóstolos, o fazem no plural, como os reis da terra e falsos cristos, o que sugere uma união de forças, sendo as duas bestas apenas os seus representantes