quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dia Nacional de Ação de Graças

Diz o apóstolo Paulo em Colossenses 3.15b: “Sede agradecidos.” Hoje é o Dia Nacional de Ação de Graças. Na verdade, essa é uma data, um motivo festejado em muitas partes do mundo. Começou nos Estados Unidos depois de uma boa colheita, no final do outono. Hoje é uma data muito lembrada e comemorada, especialmente nos Estados Unidos e Canadá. Nessa ocasião é dada uma atenção bem especial para a família e para a religiosidade. No Brasil, em 17/08/1949 o presidente Gaspar Dutra instituiu o Dia Nacional de Ação de Graças, pela Lei nº 781. Em 1966, pela Lei nº 5.110 estabeleceu-se a quarta quinta-feira do mês de novembro para festejar essa data.

Agradecer é um gesto de humildade. Agradecer é um ato de grandeza, digno e honrado. Lamentavelmente o ser humano, em geral, é tardio em agradecer. Rápido para pedir, mas tão esquecido e lerdo para voltar, reconhecer e dizer: Muito obrigado!. E isso vale no campo terreno, como também na sua relação com Deus. A Bíblia nos dá exemplos disso. Numa situação dez leprosos foram pedir ajuda de Jesus, e apenas um voltou para agradecer. No SL 50.15 diz: “Invoca-me no dia da angústia, eu te livrarei”, e aí termina o texto dizendo “e tu me glorificarás.” Muitos fazem o ponto final depois das palavras “eu te livrarei.”

Irmãos em Cristo! Nós temos muitos motivos para agradecer. Na verdade, temos todos os motivos para agradecer. Cada novo dia é uma benção de Deus. Cada passo, cada refeição, o ar que respiramos, a água que tomamos, tudo é graça e misericórdia de Deus. Mas além de todas estas bênçãos terrenas e materiais, temos um presente, uma graça, um gesto de amor que supera a tudo: Deus mandou seu Filho ao mundo para nos salvar. Jesus que deu a sua vida por nós, para que fóssemos reconciliados com o Pai, para que tivéssemos perdão, vida e salvação. Poderia ter presente maior? Poderíamos deixar de agradecer, reconhecer e responder a tamanho amor?

Por isso: “Sede agradecidos!”, não só hoje, não só num dia durante o ano, mas em todos os dias, da manhã até a noite, dia após dia, em todos os momentos, vivamos a gratidão e a alegria de termos um Deus tão maravilhoso e gracioso como o nosso.

Um bom dia de Ação de Graças.

Rev. Egon Kopereck
Presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A profecia de Silvio Santos


Agora é hora de alegria, vamos sorrir e cantar. Do mundo não se leva nada, vamos sorrir e cantar. Sílvio Santos vem aí... Quem não conhece esta marchinha? No entanto, o apresentador mais popular do Brasil está vivendo na carne a profecia que “do mundo não se leva nada”. Em dezembro ele completa 80 anos, e recebe um presente de grego – ele que é de origem grega. Um dos negócios dele, o Panamericano, está falido. Este banco usou dinheiro que não tinha como garantia de empréstimo, uma fraude de R$ 2,5 bilhões. Nesta semana Silvio Santos anunciou que vai demitir 40 parentes envolvidos no esquema. Até parece Ali Babá e os 40 ladrões. A lenda conta que Ali Babá, um pobre lenhador árabe, encontrou um tesouro numa caverna, que se abre com as palavras "Abre-te Sésamo". Na história real, as palavras mágicas estavam nos baús de presentes de Natal para crianças, vendidas em prestações, que se transformaram no famoso Baú da Felicidade.
  
Histórias assim ouvimos todos os dias: gente “rica” que é pobre mas vive com aparência de riqueza, fortunas que desaparecem, fraudes, parentes que enganam parentes, empresas familiares que quebram na segunda ou terceira geração, e tantas outras parecidas. São as surpresas dos “baús” deste mundo onde tudo passa. “Nú saí do ventre de minha mãe, e nú voltarei”, queixou-se o sofrido Jó. O rico rei Salomão também sabia que “como entramos neste mundo, assim também saímos, isto é, sem nada” (Eclesiastes 5.15). Por isto, nenhuma surpresa a desventura do Silvio Santos. Bancos e empresas quebram todo o santo dia. Aliás, desconfia-se que outros bancos onde nosso dinheiro está guardado também escondem o jogo num baú repleto de fraudes. 

Por isto a história do Natal, o baú da felicidade sem surpresas desagradáveis. Natal é o inverso do Panamericano, que se fez de rico mas era pobre. No baú da manjedoura, Jesus Cristo que era rico, se tornou pobre para que nós ficássemos ricos por meio da pobreza dele (2 Coríntios 8.9). Ele, num domingo, entrou em Jerusalém e as pessoas cantavam Agora é hora de alegria, vamos sorrir e cantar. Do mundo não se leva nada, vamos sorrir e cantar. Jesus Cristo vem aí... Melhor mesmo as palavras do evangelista: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Marcos 11.9).

Marcos Schmidt
Pastor luterano   
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Livra-nos da idiotice

Eleição e Finados se juntaram num feriadão, e por uma boa causa. É que o presidente da nação tem a sublime tarefa de retardar o dia dos mortos de cada cidadão. Mesmo que o cemitério seja o destino certo, tanto para um ilustre presidente como para um simples cidadão, todos desejam viver por muito tempo, e viver bem. Por isto, penso que esta famosa foto do afago de Lula em Dilma após a vitória, representa o carinho que os brasileiros desejam, gestos que tragam qualidade de vida para todos.

Mas para isto, o país precisa de bons políticos. Refiro-me aqui ao povo em geral. Ainda não li o livro “Política para não ser idiota” do filósofo Mário Sérgio Cortella, mas assisti a entrevista dele no programa da Maria Braga nesta segunda-feira, quando ele comentou sobre a obra. Achei interessante quando explicou que a palavra idiota vem do grego idiótes, expressão usada na Grécia antiga para designar quem não participava da vida política, considerada atividade nobre. Aliás, foi isto que o apóstolo Paulo – que viveu naquele tempo e lugar – lembrou aos cristãos, conforme Filipenses 1.27, para que não fossem omissos, mas vivessem uma vida política de acordo com o evangelho de Cristo (ele usa o termo grego politeuste).

Certamente, se não quisermos terminar os dias terrenos numa urna mortuária como idiotas, precisamos ser bons e ativos cidadãos não apenas na hora de ir à urna eletrônica. A mesma coisa na igreja. Não basta cumprir os votos no altar e depois esquecer os deveres religiosos na comunidade cristã e na sociedade civil. “Sejam filhos de Deus”, ressalta o apóstolo, “vivendo sem nenhuma culpa no meio de pessoas más” (Filipenses 2.15). E se na política a única forma para ser um bom filho do Brasil é através de uma educação eficaz, na vida cristã só existe um caminho: “Encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente” (Filipenses 4.8).

A presidenta Dilma, na primeira entrevista, disse que deseja honrar o cargo que recebeu. Na verdade, isto deve ser uma meta de cada cidadão, especialmente daquele que reconhece que a vida humana é um voto divino.

Marcos Schmidt
Pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS