quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mães Trocadas

Sei que não deve estar sendo fácil para as duas mães de Goiânia que tiveram seus filhos trocados na maternidade, ainda mais agora, onde depois de um ano a troca foi desfeita.

Tenho dois filhos e sei o quanto nos apegamos aos “jeitinhos” de cada um, seus sorrisos e trejeitos. Por isso, sei que não deve estar sendo nada fácil! Também sei que as crianças estranham, devem procurar o cheiro daquela que os amamentou até o presente momento, mas não encontram.

No entanto, por meio de uma comparação quase descabida, quero mostrar outra verdade, a verdade das crianças que “não tem ninguém”, a verdade das crianças abandonadas, desmerecidas.

O que me veio à mente ao condoer-me com a situação das mães e filhos de Goiás é que esses dois meninos ainda possuem a honra, a glória de terem duas mães, cada uma os desejando mais que a outra. Reafirmo que a confusão deve causar dor e desconforto, porém não é uma dor maior do que as crianças rejeitadas, não é uma dor maior do que crianças renegadas, abandonadas!

Há relatos de crianças sendo vendidas para pedófilos, sendo comercializadas para prostituição!

Não sei o que é mais dolorido, se a desgraça para a qual são entregues ou se é o fato de não ter ninguém que as proteja.

No capítulo 5 do Evangelho de João, Jesus ajuda um paralítico, que tristemente confessou: “Senhor, eu não tenho ninguém para me ajudar!” Essa frase é dolorida: “eu não tenho ninguém!” Sua solidão incomodava tanto quanto a paralisia.

Num mundo globalizado, parece que cresce o número de pessoas que por força dos novos tempos são de todo mundo, mas que no fundo no fundo, não são de ninguém e “não tem ninguém!”

Nesse mundo de troca-troca, valores essenciais como o contato e o cuidado são deixados de lado, seja por interesses egoístas, ou por necessidade. Assim, cresce o número de babás eletrônicas, porém o sobressalto do amor maternal continua sendo semeado pelo Criador, para que cada um tenha alguém que os olhe, que os cuide, que os acompanhe!

E ainda que todos nos abandonem, e ainda que fiquemos como o paralítico, “sem ter ninguém”, ainda que sejamos trocados, tal qual mercadoria, ainda que sejamos esquecidos, temos o Senhor Jesus que se aproxima, que preenche a ausência de uma mãe, que nos renova com amor paternal. A promessa está escrita! A Palavra de Deus nos diz em Isaias 49.15: “Será que uma mãe pode esquecer o seu bebê? Será que pode deixar de amar o seu próprio filho? Mesmo que isso acontecesse, eu nunca esqueceria vocês.”

Que todas as mamães sejam abastecidas pelo amor de Deus para que o troca-troca da correria diária não afete tanto suas mentes e corações, a fim de que continuem sóbrias para embalar e despertar nos pequenos a esperança de um futuro melhor, na confiança de que “tem alguém” que os ama!

Pastor Ismar Pinz
Comunidade Luterana Cristo Redentor
Três Vendas, Pelotas, RS.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Uma mancha de destruição

*Márlon Hüther Antunes


O petróleo que vaza desde o último dia 22, depois da explosão da plataforma da British Petroleum (BP), e que afundou no Golfo do México, vem provocando um dos maiores desastres ecológicos da história. A mancha que parece não ter fim é muito maior que anteriormente estimada, lançando 800 mil litros diários do espesso e escuro óleo no mar, ameaça todo ecossistema da costa americana.

A perigosa mancha sobre as águas do Oceano Atlântico é mortífera, pois impede que a luz passe pela água, sem luz não há vida! A luz é fator decisivo para que aconteça a fotossíntese, sem ela as plantas morrem, afetando a teia trófica (cadeia alimentar), consequentemente os animais e peixes morrem por falta de alimento. O desequilíbrio contamina água e solo, o óleo impregnado impede que aves voem e peixes respirem, pois tem suas brânquias afetadas.

O presidente Barack Obama ordenou o uso de "todos os recursos disponíveis" para combater o desastre. Enquanto se vê o estrago do problema superficial, a fonte está bem mais profunda, a mais de 1500 metros de profundidade, ali sem controle jorra e traz a morte.

A relação Luz e trevas sempre lembram vida e morte. A Palavra de Deus fala de trevas com referencia ao pecado e suas consequencias, que igualmente trazem desgraças e mortes em todos os tempos; assim como o vazamento de petróleo, precisa ser contido em sua fonte, na causa inicial – no coração das pessoas. É nele que brotam tantas manchas e resultam nesta sociedade marcada pela imoralidade, roubos, crimes, mentira, avareza e orgulho humano (Marcos 7.21-23), que quando se dá conta, é como patinho cheio de óleo pegajoso, impedido de qualquer voo. Sem luz, morta. Para este problemão, para estancar a maldade que corre nas veias de todos e que resultam na espessa mancha – amor excessivo ao dinheiro, raiz de todos os males e responsável pelas maiores tragédias (1ª Timóteo 6.10) Deus oferece luz, enviando o único recurso, para combater este desastre. Conforme anunciado pelo Profeta Isaías: “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz” (9.2).

Enquanto nos atemos no que os olhos podem ver, ou só no que queremos ver e acreditar, a mancha de destruição do pecado provoca muitos vazamentos, entre eles o de lágrimas. Só em Cristo este pode ser controlado. O rei Davi depois da escuridão valorizou como nunca a luz: “Tu, Senhor, és a minha lâmpada; o Senhor derrama luz nas minhas trevas” 2º Samuel 22.29. Que através de Jesus, o céu se abra para ti também, trazendo-lhe nova vida!

*É Teólogo e Pastor da Igreja Luterana, Maceió-AL

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Futebol e religião


Ernani Kufeld*


Futebol e religião têm algo em comum? Se você pensa que não, veja que são no mínimo interessantes as paixões que eles despertam. Se no Novo Testamento os primeiros cristãos estavam dispostos a perder suas vidas em nome da fé cristã – a qual lhes dera uma nova razão de viver – e do salvador que ressuscitou, hoje amantes do futebol fazem verdadeiras loucuras para provar amor ao time e artilheiro do coração. Lembro-me que quando o time o qual simpatizo foi disputar a final do torneio mundial interclubes vi uma entrevista dada por um pai de família que vendeu a própria casa para ter dinheiro e viajar ao outro lado do mundo ver os jogos. Questionado sobre o ato ele respondeu que pelo seu time fazia qualquer coisa. Um louco egoísta? Outro dia vi também uma notícia sobre uma pessoa que vendeu tudo o que tinha e deu de oferta a determinada igreja, sob a promessa de prosperidade em nome de Deus.

Fazer qualquer coisa pode ser bem perigoso tanto para o futebol quanto para a fé e até para a vida. Por estar disposto a tudo em nome da paixão pelo time, tem gente que fala mal, agride e até mata. E o pior é que na religião a história muitas vezes se repete. Pergunto-me: será que Deus aprova este tipo de atitude? Não creio, embora distorcendo a mensagem da Bíblia se possa usá-la para dizer o que se quer. Mas aí é como um jogo sem juiz e sem regras: quem pode mais chora menos!

Mas as semelhanças não param por ai. No dia 28 de abril saiu o ranking atualizado da FIFA e para nossa alegria, a seleção brasileira de futebol volta ao topo da lista, isto a 43 dias do inicio da copa do mundo. Como bom torcedor pela seleção brasileira, não deixo de ficar orgulhoso e confiante quanto à Copa que vem aí. Estar no topo, no auge é o que todo mundo almeja. É muito bom estar ali. Faz bem para o EGO. Dá aquela sensação boa de “não tem pra ninguém”. Mas é aí que mora o perigo. Alguém já disse que quanto maior o salto, maior a queda.

A última edição da Copa do mundo mostrou que salto alto e futebol não combinam. Salto alto e fé cristã também não. A Palavra de Deus nos dá vários exemplos disso. Em Mateus 18.4 Jesus disse que “a pessoa mais importante no reino do céu é aquela que se humilha e fica igual a uma criança.” Já em Marcos 9.35 Ele disse que “se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos”. O profeta Isaías (5.21) alertou que “ai dos que acham que são sábios, dos que pensam que sabem tudo!” E o apóstolo Paulo lembra os Coríntios dizendo que “aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair”. Por quê? Porque o salto alto normalmente vem de uma autoconfiança exagerada. Autoconfiança exagerada produz salto alto. Salto alto produz derrota. O futebol já mostrou isto. É o que acontece quando um jogador pensa que pode levar o jogo sozinho nas costas ou, quando um time subestima o adversário. É assim quando achamos que somos tão bons que merecemos bondade e recompensa de Deus ou, chegamos ao ponto de subestimar a natureza pecadora em nós e o maligno a nossa volta.

Salto alto normalmente vem da confiança em coisas anteriormente realizadas. Mas estas são estatística e estatística não ganham jogo nem salva ninguém. Por isso, diante da autoconfiança exagerada e do salto alto dos romanos, o apostolo Paulo redireciona os seus olhos para Cristo e conclui com a categoria digna de um artilheiro: “Porém a pessoa que não põe a sua esperança nas coisas que faz, mas simplesmente crê em Deus, é a fé desta pessoa que faz com que ela seja aceita por Deus....” (Romanos 4.5). Ele diz isto porque sabe que espiritualmente somos vencedores não pelo que podemos ou fazemos, mas por causa daquele que nos ama: Jesus.

*Teólogo e pastor da Igreja Luterana em Aracaju