quinta-feira, 3 de março de 2011

Hora Luterana


Ouça aqui diariamente pequenas mensagens escritas com sabedoria:

Autocontrole no trânsito


As chocantes imagens do atropelamento coletivo de ciclistas em Porto Alegre servem de exemplo para motoristas, ciclistas, motoqueiros, pedestres. Questionado sobre o que faria se pudesse voltar no tempo, o atropelador respondeu que teria ficado em casa naquele dia. Mas não adianta fugir das ruas quando em casa está a família. Até porque não é preciso um volante para atropelar. Bastam palavras e gestos de um coração dominado pelo impulso da raiva.

Pesquisas revelam que este motorista agressivo não está sozinho. Boa parte dos brasileiros transforma-se em predador assim que agarra o volante. Uma psicóloga brasileira entrevistou 900 motoristas, e descobriu que 84% deles sentem ira enquanto dirigem. "O carro dá poder e permite o extravasamento de emoções, inclusive da raiva que se traz de casa ou do trabalho", diz um psiquiatra especialista em tráfego. Problema que, segundo ele, se agrava quando juntam três situações: o carro servindo de objeto de poder, o trânsito extravasando a raiva, e a presença de um transtorno impulsivo.

Que o carro é uma arma, isto os dados comprovam. Mais de 50 mil mortos e 500 mil feridos por ano nas avenidas do nosso país. No entanto, o que muitos não sabem é que ela está engatilhada nas mãos de qualquer motorista, de gente simples e poderosa, de gente tranquila e nervosa, de gente sã e doente. Como evitar que eu seja a próxima vítima, ou o próprio assassino? Um desafio diário e constante quando boa parte da nossa existência transita em quatro ou duas rodas.

Além de controlar um veículo, o motorista precisa controlar a si mesmo. “Deixem que o Espírito de Deus dirija a vida de vocês e não obedeçam aos desejos da natureza humana”, lembra o “código de trânsito” em Gálatas. Um destes desejos é a raiva, mas, ao enumerar os frutos na vida daqueles que são “controlados” pelo Espírito Santo, o texto finaliza com o domínio próprio. Já em outra epístola, o mesmo autor avisa: “Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem” (Efésios 4.26). Um alerta nestas loucas avenidas entulhadas de carros e de gente estressada.

Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS


Que pés bonitos!

"Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!" (Isaías52.7)

Hoje tive a oportunidade de participar de uma bonita cerimônia de desinstalação de pastor. Ele recebeu um novo chamado e entendeu que o Senhor o queria em um novo desafio. Havia nove pastores participando da cerimônia, entre eles, o pastor Elmar, que estava sendo desinstalado depois de 9 anos e 5 meses de ministério na Paróquia Concórdia.

Um dos versículos (entre tantos) citados nesta cerimônia foi Isaías 52.7. Certamente um dos versículos mais belos sobre a missão e o mensageiro. E também sobre a notícia entregue, as “boas-novas” (que é a tradução de Evangelho, no Novo Testamento).

Analisando e contradizendo “que feio é o pé daqueles que trazem notícias ruins”. Não o pé em si. O texto fala poéticamente referindo-se às pegadas. Imagine você chegando em casa e encontrar as pegadas daqueles que roubaram seus bens. Ou as pegadas que se investiga no CSI (“Crime Scene Investigation” – série muito premiada) para se descobrir assassinos, estupradores e outros marginais… Se esses pés são feios… São horríveis. Nos trazem tristeza. E como pegadas, ficarão marcadas em nossa vida para sempre. Acredite! Senti na pela chegar em casa e ver pegadas de bandidos.

Com o tempo, qual pegadas na areia, as pegadas ficarão cada vez mais rasas, mas ao contrário da areia e como a “areia” lunar, as marcas ficarão como as pegadas de Neil Armstrong no solo do nosso satélite natural. Elas estão lá até hoje, mesmo 41 anos depois.

Se a gente deixar, as boas pegadas também serão apagadas de nossa vida. Mas se continuamente os mensageiros continuarem a vir, sempre haverá pegadas novinhas. Pegadas que nos lembrão de coisas bonitas. Coisas como a notícia da Salvação. Aliás, as pegadas de Jesus estarão sempre novinhas em nossos corações. Elas são renovadas quando paramos para ler a Palavra, quando vamos ao culto e tudo mais.

O pastor Elmar e todos os pastores dedicados ao Senhor, continuarão deixando boas pegadas, não só sobre os belos montes do Espírito Santo, mas aonde o Senhor os levar. Que cada um de nós também possa deixar boas pegadas pelos caminhos que compartilhamos com outros. Amém.

Rev. Jarbas Hoffimann, pastor e teólogo luterano