terça-feira, 19 de maio de 2009

Por que comemorar a Ascensão?

É uma pena que uma data tão importante quanto à Ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo passe muitas vezes despercebida no calendário cristão e na nossa vida em geral. Inclusive, por causa do calendário civil carregado de feriados religiosos, ela é obscurecida por outras datas, como Corpus Christi, uma celebração que tem um significado secundário, para não dizer pagão.

Deveríamos prestar mais atenção à Ascensão, pois ela tem um significado muito grande e importante. Ela é, por assim dizer, a prova de que Jesus realizou a sua missão, de que ele fez um bom trabalho. O Pai enviou o seu Filho ao mundo para morrer e ressuscitar por nós seres humanos pecadores e perdidos (Jo 10. 17-18). A Ascensão é a certificação pública e triunfante de Jesus como o Salvador do mundo.

Além disso, a Ascensão de Cristo traz dois benefícios, duas certezas muito grandes para nós cristãos, que nos levam a comemorar esta data:
a) a presença do Espírito Santo conosco, que nos ensina todas as coisas e nos lembra de tudo o que Jesus disse (Jo 14.25). Ele prometeu enviar o seu Espírito e, logo antes de subir aos céus, renovou esta certeza aos 11 discípulos: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (At 1.8) Esta promessa se confirmou no dia de Pentecostes para os discípulos de Jesus e se confirmou para nós no dia do nosso Batismo.
b) A certeza de que seguiremos após Cristo para os céus. Ele mesmo disse: “E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também.” (Jo 14. 3) e também, ao orar ao Pai: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste” (Jo 17.24).

A Ascensão pode e precisa ser lembrada e comemorada por nós: Cristo fez um bom trabalho que nos garante a presença do Espírito Santo sempre conosco e a certeza da vida eterna com ele, Cristo, no céu!


Pastor Paulo Albhecht
Rio de Janeiro, RJ.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Lugares Sagrados

Por que o Muro das Lamentações, visitado pelo papa nessa semana, é mais sagrado do que a Muralha da China? Por que a Esplanada das Mesquitas, também visitada por Bento XVI , é considerada apenas o 3º lugar mais sagrado pelos palestinos?

Por que um templo é mais sagrado que uma casa, mesmo quando ambos são construídos com tijolos da mesma olaria?

São perguntas que nos fazem pensar. Outra reflexão: como um lugar como a Palestina, repleto do “Sagrado”, está sempre coberto de guerras e conseqüentemente de sangue?

Talvez a resposta esteja no fato de que a linha que dividi o sagrado do profano é muito tênue.
Os confrontos por motivos religiosos profanam o sagrado, pois revelam preocupações com muros, com construções e se esquecem das pessoas. Em nome do divino, mata-se sem receios! Por honra a pedras, derrama-se sangue inocente! Defende-se uma cidade e não os seus moradores.

No campo da política diz-se que o “voto é sagrado”, mas há poucos dias um deputado afirmou estar se lixando para a opinião pública. Também nessa área o sagrado confunde-se com o profano, pois cargos e instituições são defendidos ao invés dos cidadãos e suas necessidades.
O que faz um lugar ser mais sagrado do que outro?

No livro: “O Pequeno Príncipe”, o personagem cuidava de uma rosa que lhe era especial. Porém, descobre que há muitas outras rosas, iguais ou superior em beleza – mas, sente que nenhuma lhe é tão preciosa. Por quê? Porque o tempo concedido a sua rosa foi que a tornou tão especial. Foi à atenção dispensada ao regar, ao arrancar as ervas daninhas que tornou aquela rosa tão cara e tão ligada ao seu coração, ou, poderíamos assim dizer, tornou-a “sagrada”!

Assim como a rosa é para o Pequeno Príncipe, assim a Vida é para Deus e conseqüentemente para suas criaturas. Deus ama a Vida Humana não porque ela é valiosa, mas ela é valiosa porque Deus a ama. É o amor de Deus que santifica, que torna sagrado e não discursos de papas ou presidentes, nem poderes bélicos ou econômicos.

Por isso, ainda que eu honre e dignifique muros, cidades e templos, se isto estiver desvinculado do Amor, de nada isso valerá. Não me surpreende, portanto, que a Palestina, região cercada de lugares sagrados, honre a guerra e se esqueça da Paz.

Resta-me desejar que as muralhas de ódio sejam derrubadas. E que as construções humanas sejam respeitadas não pelo valor ou idade das pedras, mas sim pelos princípios e sentimentos que levaram a sua construção, e que estes princípios defendam a Vida e a sua dignidade, como Jesus fez e ainda faz.

Pastor Ismar Pinz – ismarpinz@yahoo.com.br
Comunidade Cristo Redentor, PELOTAS, RS.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Jesus e a lâmpada de Aladim

Um cristão pode usar o nome de Jesus da mesma forma como o Aladim usa a lâmpada mágica? A teologia da prosperidade diz que sim. Acredita ser igual a um cheque em branco assinado por Deus: é só colocar a quantia e emitir. Que frases do tipo “por amor de Jesus” não devem ser usadas, mas “eu determino”. Que as causas da pobreza, da doença e de outros males são: falta de fé, desconhecimento dos direitos cristãos, porque não se pede a Deus, pecado não confessado, e porque Satanás não foi expulso. Que a Bíblia ensina tudo isto, a exemplo da promessa de Jesus: “Vocês receberão tudo o que me pedirem” (João 15.7).

Seria um cheque em branco sem limites se a promessa não tivesse uma condição: “Se vocês ficarem unidos comigo, e as minhas palavras continuarem em vocês, vocês receberão tudo o que pedirem”. Falo do assunto, pois a Parábola da Videira (João 15.1-7) é a leitura do Evangelho neste 5º Domingo de Páscoa que muitos cristãos vão ouvir nos bancos da igreja. E porque a gente liga a televisão e lá estão eles dizendo que “o nome de Jesus tem poder e os meus problemas acabaram”. No entanto, o cheque é sem fundos.

Também gostaria que todos os meus problemas fossem resolvidos e sonhos realizados. Ter uma casa com carrões na garagem, bastante dinheiro na conta, viajar e conhecer o mundo. Mas nunca me atrevi em pedir tudo isto. Nada contra aqueles que têm ou que almejam ter estas coisas, desde que não transformem isto em “deuses”. Mas até agora não encontrei em nenhum lugar da Bíblia tais promessas ao “filho fiel” – se é que existe este tipo de “filho fiel”.

Não quero desmotivar ninguém na oração, pelo contrário. Até porque o próprio Salvador é quem encoraja: “Peçam e vocês receberão”. Mais adiante o Senhor pergunta: “Por acaso algum de vocês será capaz de dar uma cobra ao seu filho quando ele pede um peixe?... Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai, que está no céu” (Lucas 11.9-13). No entanto, existe um “se”: “Se vocês ficarem unidos comigo, e as minhas palavras continuarem em vocês...”. Esta é a chave para a oração. Ou como Cristo disse: “Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto porque sem mim vocês não podem fazer nada” (João 15.5).

Pois neste mundo com tanto ramo sem a “videira verdadeira” (João 15.1), tanto filho sem a mãe verdadeira, tanta gente sem a vida verdadeira, ainda existe esta epidemia consumista propagandeada por ladrões de ovelhas (João 10.1). A quadrilha que fraudou o INSS na região do Vale dos Sinos e outras por aí ao menos roubam apenas os bens materiais.

É preciso compreender o coração maternal de Deus para saber que a oração do toma-lá-dá-cá não é fé, mas negócio. “Se Deus nos deu o seu Filho”, escreve Paulo, “será que não nos dará também todas as coisas?” (Romanos 8.32). Por isto, “que a tua vontade seja feita” (Mateus 6.10) e nunca “eu determino em nome de Jesus”.

Marcos Schmidt
Pastor luterano
marsch@terra.com.br